Desnutrição atinge 50% dos pacientes do SUS em hospitais
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sábado, 26 de agosto de 2000
Celso Mattos De Londrina 
O problema da desnutrição em pacientes internados em hospitais foi o tema da II Jornada de Desnutrição Intra-Hospitalar, que terminou ontem no Hospital Universitário, em Londrina. O evento promovido pela Comissão de Suporte Nutricional do HU trouxe a Londrina a médica Maria Isabel Correia (foto), de Belo Horizonte, que é especialista no assunto. Em 1996, ela coordenou uma pesquisa sobre o estado nutricional de quatro mil pacientes internados em 25 hospitais de 12 Estados brasileiros, além do Distrito Federal.
A pesquisa mostrou que 50% dos pacientes sofriam de desnutrição. Participaram do estudo apenas hospitais filantrópicos e todos os pacientes eram do Sistema Único de Saúde (SUS), informou. A situação é mais grave nos hospitais da região Norte e Nordeste.
A médica ressalta que a desnutrição é um mal negócio e uma péssima medicina. O doente desnutrido corre mais riscos de complicações, ficando mais tempo internado e ocupando um disputado leito hospitalar, o que acaba saindo mais oneroso para o SUS.
De acordo com Maria Isabel, os resultados da pesquisa serviram também para o Ministério da Saúde começar a se preocupar com o problema. Já existe uma Portaria do Ministério destinando verbas para a nutrição de pacientes do SUS, mas para isso os hospitais precisam estar credenciados junto à Vigilância Sanitária e ter uma Comissão Interna de Suporte Nutricional.
Essa Comissão precisa ser formada por médicos, enfermeiras, farmacêuticos e nutricionistas. Maria Isabel reconhece que, a curto prazo, a nutrição enteral custa caro, mas que a longo prazo representa redução de custos.
Há 12 anos, o HU criou a Comissão de Suporte Nutricional. A Santa Casa e o Hospital Evangélico já têm a Comissão formada. Nos demais hospitais está em fase em implantação.


