Quinta do Sol - As crianças das famílias de trabalhadores rurais sem-terra que ficaram na Fazenda Roncador, em Quinta do Sol (46 km ao norte de Campo Mourão) estão vivendo em situação precária e ameaçadas pela desnutrição. Ontem as famílias voltaram a procurar o bispo de Campo Mourão, D. Mauro Aparecido dos Santos para reclamar da demora do Incra em assentá-los. No próximo dia 2 vai completar dois anos que o órgão assinou um termo de compromisso prometendo assentar os excedentes em três meses.
‘‘As crianças das famílias excedentes estão em situação precária, vivendo de um jeito que choca a gente’’, revelou a presidente do Conselho Tutelar de Quinta do Sol, Rozilda Monteiro Chinaglia. Há dois meses foi registrado o primeiro caso de desnutrição no acampamento. Uma criança de dois anos estava pesando apenas sete quilos. ‘‘Outras crianças estão correndo o risco de chega ao mesmo quadro’’, disse a presidente.
Após o registro do caso de desnutrição, a familia da criança passou a receber uma cesta básica da Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI) e foi transferida de um barraco de lona para uma peça de uma casa existente na área. Os excedentes, no entanto, somam cerca de 200 pessoas de 40 famílias (há dois anos eram 250 famílias, mas a maioria foi embora). São 50 crianças de até 12 anos que continuam na área.
‘‘A sobrevivência dos excedentes está cada vez mais difícil’’, reclamou o sem-terra Valdir Paraíso, 29. ‘‘Não temos trabalho nem área para plantar e se manter’’. Eles reclamaram ao bispo que só estão no local porque acreditaram na proposta do Incra. Todos são cadastrados pelo órgão. D. Mauro tentou falar com a superintendência do Incra, em Curitiba, mas foi informado de que estava havendo uma reunião com o ouvidor agrário nacional para tratar do assunto.

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