Desmotivação e salário são os piores problemas da Educação
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Os brasileiros consideram a falta de motivação e o baixo salário dos professores como os principais problemas da educação no País. É o que revela uma pesquisa sobre a educação básica pública no Brasil, realizada pelo Ibope Inteligência para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o movimento Todos Pela Educação.
Professores desmotivados e mal pagos foi a opção apontada por 19% dos entrevistados como o maior problema. Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato), Marlei Fernandes de Carvalho, o dado não traz surpresa. "A população tem razão. Os educadores estão sem perspectiva de carreira e com salários baixos, trabalhando em uma sala de aula com excesso de alunos e com cargas horárias abusivas", afirma.
Já a pedagoga e diretora do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Simeri Ribas Calisto, a questão afeta muito a qualidade do trabalho do docente e o desempenho em sala de aula. "Por causa do baixo salário, o professor tem que dar mais aulas e passar mais tempo em um ambiente pesado, que é a sala de aula. Ele vai ficando cada vez mais desestimulado com essa situação", diz.
O ambiente pesado, apontado por Simeri, ficou em segundo lugar na pesquisa. Falta de segurança e drogas nas escolas foi levantado por 17% dos entrevistados. Em seguida foi a falta de escolas e professores insuficientes, para 15% e 12%, respectivamente, os maiores problemas da educação. Marlei e Simeri concordam que a demanda é grande para o ensino médio, enquanto que o ensino fundamental já abrange a quase totalidade dos alunos nessa idade escolar.
"Cerca de 97% das crianças entram na escola. Mas cai para 50% o número das que concluem a 8ª série. Apenas metade dos adolescentes e adultos entre 14 e 24 anos estão no ensino médio. Se todos quisessem se matricular, não existiriam vagas", explica a presidente da APP-Sindicato.
A falta de professores já é um problema grave e, de acordo com as sindicalistas, a tendência é piorar. "Nas áreas de exatas, para as disciplinas de matemática, física e química, é grande a defasagem de profissionais", conta
Simeri. Segundo Marlei, 82% dos professores de física não têm formação superior e 40% dos alunos de licenciatura não têm vontade de dar aula.
A falta de preparo e qualificação dos docentes, para 11% dos consultados, o maior problema educacional, seria uma decorrência do excesso de tempo em sala de aula. "Estamos no aguardo da aprovação da lei do piso, que irá determinar que 33% da carga horária do professor sejam aplicados em hora atividade, ou seja, para organizar a parte pedagógica e fazer cursos de extensão", diz Simeri.
"O professor é avaliado para entrar. Mas precisa ter condições adequadas para continuar sua qualificação. Além do mais, o salário que ele recebe hoje não permite frequentar teatro, cinema e comprar livros, o que também faz parte da formação do docente", avalia Marlei.
Apenas 9% dos entrevistados consideram a baixa qualidade do ensino e o fato de os alunos não estarem aprendendo como os principais problemas da educação. Zero porcento considerou a falta de participação dos pais. "Esse dado vai de encontro com a atuação da população na escola. Em geral, os pais não participam da vida escolar, então não avaliam a importância disso para o aluno", conclui Simeri.
"Se não houver uma política de valorização profissional, com bons salários, carreira e condições de trabalho, podemos apostar no caos educacional", prevê Marlei.
A reportagem procurou as secretarias de Educação municipal e do Estado, mas não obteve retorno até o fechamento dessa edição. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de dezembro de 2008 e ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 141 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


