Desmatamento pode exterminar até 70% das aves
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segunda-feira, 13 de março de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Com ouvidos preparados para distinguir os cantos que vêm da natureza e binóculos para esquadrinhar a mata, a equipe da pesquisa coordenada pelo professor de ecologia do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luiz dos Anjos, percorreu os três principais grandes tipos de coberturas florestais que ocorrem no Paraná para responder, principalmente, a uma grande pergunta: qual a magnitude da perda da biodiversidade com o desmatamento e a fragmentação das florestas? Para tanto, os pesquisadores investigaram a avifauna desses ambientes e constataram que a vida das mais de 352 espécies de aves florestais encontradas depende, e muito, da conservação dessas áreas. Com a derrubada das matas e a divisão das áreas verdes em porções, a redução da variedade de espécies pode chegar a 70%.
A pesquisa consumiu três longos anos de trabalho e foi desenvolvido em 15 localidades diferentes espalhadas pelo Estado onde existiam remanescentes dos três principais tipos de florestas paranaenses, que são: de araucária (floresta ombrófila mista), a que se estende da Serra do Mar ao litoral (ombrófila densa) e a estacional semidecidual (existente no norte, noroeste e sudoeste paranaense). O projeto contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ONGs, empresas privadas e da própria UEL e foi uma ampliação de um outro, que vinha sendo desenvolvido desde 1989 mas não abrangia todo o Estado. A partir desse trabalho, frisa o professor, passou a ser possível caracterizar de forma mais precisa as aves que habitam as florestas estaduais, avaliar a importância das unidades de conservação, analisar os efeitos da fragmentação florestal e propor programas de monitoramento.
A opção pelas aves florestais, segundo Luiz dos Anjos, se deu justamente porque são as mais ameaçadas de extinção por causa do desmatamento, que já consumiu cerca de 92% de toda a cobertura florestal do Paraná. A fragmentação em pequenas porções de áreas verdes, continua, não é adequada à sobrevivência de muitas aves florestais porque ao contrário do que se pensa, elas não conseguem transpor voando grandes distâncias sem vegetação. A derrubada das florestas também reduz a variedade e quantidade de alimentos disponíveis.
O professor compara que numa situação de 500 hectares de floresta não fragmentada é possível encontrar cerca de 180 espécies de aves florestais. Se essa área for reduzida para 30 hectares, a perda de espécies chega a 40%. Reduzindo para 10 hectares, a perda pode chegar a 70%. ''É sem dúvida dramática a perda de espécies com o desmatamento, sendo que as primeiras a desaparecerem são sempre aquelas mais sensíveis à redução da área de floresta e justamente as que estão mais ameaçadas de extinção'', analisa o pesquisador. O resultado imediato é que a lista das aves sob ameaça de extinção só cresce. Hoje, estima-se que entre 20 e 30 espécies que vivem em florestas correm risco de desaparecer caso o desmatamento continue avançando.
Luiz dos Anjos destaca que os dados apurados renovam a importância das unidades de conservação na manutenção da integridade do total de espécies. Nas 15 unidades de conservação monitoradas pela equipe de pesquisa, por exemplo, foram listadas 352 espécies diferentes de aves florestais. O total representa a metade de todas as espécies de aves que habitam o Paraná.
Agora que o trabalho está praticamente acabado, o pesquisador quer que as conclusões sejam divulgadas para que toda a comunidade possa perceber a importância de se conservar áreas de floresta.


