César AugustoDerrubadaJosé Vargas, do Ibama: ‘Restam poucas matas’Além do IAP - que é estadual -, outros órgãos públicos fiscalizam e reprimem os crimes ambientais e cuidam da preservação da natureza em Londrina, como a Polícia Florestal, a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) - que é municipal - e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Governo Federal. Eles trabalham, sempre que possível, de forma conjunta e planejada, até porque os recursos humanos e materiais de cada um em separado são bastante precários.
O Ibama, por exemplo, conta com apenas seis funcionários e um automóvel para atuar em uma região de 90 municípios. O chefe regional do Ibama em Londrina, o químico José Carlos Vargas, comenta que a Lei de Crimes Ambientais contém vários avanços: o maior rigor das penas, a criminalização dos infratores e o aumento nos valores das multas. ‘‘Ela engloba bem as três leis em vigor desde 1965/67, faz as correções, melhorias e atualizações necessárias e será um instrumento a mais para o trabalho diário do Ibama’’, diz Vargas.
De acordo com ele, os maiores problemas ambientais de Londrina e região nos últimos anos têm sido o desmatamento irracional e a pesca e caça predatórias. ‘‘A queimada é proibida, mas continua ocorrendo e prejudicando o solo. O pior foi o desmatamento ao longo das últimas décadas. Esse problema chegou ao ápice, só restaram pequenos capões de matas nativas nas encostas de serras e áreas de preservação, como a Mata do Godoy.’’
Os dados relativos ao Paraná são do IAP, de 1994: apenas 8,59% do território estadual está ainda coberto por florestas naturais; outros 3,11% são áreas de permanentes reflorestamentos. Em Londrina, a situação é pior: somente 7,04% das áreas são de florestas nativas; na região Norte toda, o índice baixa para 3,88%. Os dados são de 1988, época em que Tamarana - que tem a reserva florestal do Apucaraninha - ainda era distrito de Londrina.
José Vargas considera importante a criminalização dos infratores a partir da nova lei. ‘‘A legislação atual já prevê que toda propriedade rural deve ter um mínimo de 20% da sua área com matas nativas. Mas quase ninguém respeita esse limite. O reflorestamento ocorre muito lentamente. O resultado é catastrófico para os animais e o meio ambiente como um todo.’’
No Paraná existem 28 espécies de animais em extinção, Deles, apenas dois - queixada e anta - ainda são encontrados na região de Londrina, em pequeno número. Entre as aves, 21 estão em processo de extinção no Estado; sendo que somente uma - o pica-pau da cara amarela - pode ser vista, também em número reduzido, nas matas da região. Entre os animais que existiam aqui em grande número, décadas atrás, e sumiram com a depredação da natureza destacam-se a onça pintada, a gralha azul e o peixe tabarana, que foi o símbolo do rio Tibagi.

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