Desmanche faz aumentar roubo de carro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de abril de 1999
James Alberti 
A máfia dos desmanches alimenta o furto e o roubo de veículos na Região Metropolitana de Curitiba. Esses crimes cresceram de 7.517 registros em 1997 para 8.475 em 1998. Destes, 3.664, o equivalente a 43.5%, foram recuperados pelas Polícias Civil e Militar. Parte do restante foi para o Paraguai, parte circula no Brasil com documentos falsos e outra parte não existe mais. Esta última é destruída em desmanches clandestinos e as peças são vendidas em lojas aparentemente idôneas. Os receptadores pagam por um veículo entre R$ 200,00 e R$ 1.000,00 e ganham com as peças entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Um negócio de milhões de reais, que envolve pessoas acima de qualquer suspeita.
Nos bastidores, afirma-se que delegados que costumam intensificar o combate aos crimes sofrem pressões e não raras vezes são transferidos de delegacias. Comenta-se, inclusive, que um delegado da Furtos e Roubos de Veículos deve ser tansferido em breve por essas razões. Nos últimos dois meses, a polícia tem intensificado a repressão aos ferro-velhos e a lojas de auto-peças, que estariam vendendo peças roubadas.
Neste período, foram fechados cinco desmanches de carros e um de caminhão e localizado um cemitério de veículos roubados. Em um único dia, a polícia interditou 10 auto-peças que funcionavam na Rua Salgado Filho, no bairro Uberaba, em Curitiba. Elas não teriam como comprovar a procedência das peças que vendiam. O alvará das empresas foi cassado e todas as peças sem identificação de origem foram apreendidas. Mesmo assim, as auto-peças voltaram a funcionar, segundo o delegado da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) , Luis Gilmar da Silva, por ordem da Justiça.
A única forma de combater os crimes, conforme Silva, é fiscalizar a receptação dos carros. Uma nova legislação, do ano passado, aponta o caminho (veja texto ao lado). Apesar da lei, os ladrões têm sido bem mais eficientes que as autoridades. Em São Paulo, por exemplo, foram roubados, em 1998, 138.601 carros. O número corresponde a 9% da produção anual de carros do País (1.573.128 veículos).
São Paulo também concentra 57% dos roubos de carros do País. Somente nos cinco dias de Carnaval, foram 2.421 roubos. No Brasil, o roubo e o furto de veículos aumentaram 14% entre 1997 e 1998, mas a frota cresceu apenas 6,8%.


