Silvana Leão
De Londrina
O homem estava lá, caído no chão e, por alguns minutos, as pessoas que assistiam à cena não sabiam o que fazer. Pior do que isso, alguns, com quase ou nenhuma sensibilidade, brincavam com a situação, sugerindo que ele fosse ‘‘dormir em casa’’. Triste saber que a solidariedade humana anda tão longe das situações que surgem tão próximas de nós.
Poderia acontecer com qualquer um daqueles operários que trabalhavam nas obras do antigo prédio da Mesbla (no Calçadão), ontem no início da tarde. Mas eles, sabe-se lá por que motivo, duvidaram das causas do mal-estar daquela pessoa caída à sua frente.
Os minutos que antecederam a chegada do socorro – que veio através de uma ambulância do serviço de Transporte Emergencial Centralizado (TEC) – pareceram uma eternidade para quem assistia à cena. Quando enfim chegou, mais uma cena surpreendente: motorista e policial militar que acompanhava tudo desde o início relutavam em colocar o paciente sozinho na ambulância.
E a vítima, o catador de papel Aprígio Gonçalves de Oliveira, velho conhecido dos moradores do Calçadão de Londrina, continuava estendido na porta da galeria em reforma. Ao contrário de outros dias, em que sempre está acompanhado pela mulher, ontem ele estava sozinho ao parar para admirar as obras. O súbito mal-estar o levou ao chão, fazendo com que batesse a cabeça em um cavalete.
Depois de alguns minutos na dúvida, o motorista da ambulância enfim decidiu. Levaria a vítima sozinha na ambulância, com destino ao ambulatório Alto da Colina. Mais tarde, a informação foi de que o catador de papel provavelmente havia sofrido um ataque epiléptico. Ele foi mantido em observação durante todo o dia de ontem.

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