Desistência na PUC é de mais de 4%
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segunda-feira, 05 de janeiro de 1998
Vânia Casado Curitiba 
No primeiro dia do vestibular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), ontem, a comissão organizadora constatou a desistência de 850 candidatos, que correspondem a 4,45% dos 18.942 inscritos. A previsão da comissão do vestibular era que o índice de desistência fosse de 4% a 5% nos quatro dias de prova. O reitor em exercício, José Geraldo Lopes Noronha, admite que esse ano o índice pode ser maior.
Os primeiros candidatos que encerraram as provas ontem acharam as questões de Língua Portuguesa e Geografia fáceis de resolver e gostaram do tema da redação: A crescente dependência do Homem à Ciência e Tecnologia. As provas foram realizadas em oito locais em Curitiba - a maior parte dos candidatos fez prova no Campus da PUC, no Prado Velho.
Os candidatos foram divididos em 499 turmas com dois fiscais cada uma. Às 7 horas o trânsito já estava tumultuado nas imediações e os portões foram fechados às 7h53. Foram verificados três casos de atrasos, sendo o da candidata Marlene Fátima Tutchiak o mais comovente (veja matéria ao lado).
Os candidatos tiveram que basear suas redações num texto do reitor da PUC, Euro Brandão, sobre universidade e transcendência. Eles tiveram que escrever de 20 a 25 linhas questionando os reflexos da dependência da tecnologia. Segundo o coordenador de Língua Portuguesa do concurso, Jayme Bueno, a prova de Redação equivale a dez questões objetivas. A fuga total ao tema ou a falta do número mínimo de linhas anula a prova. Segundo Bueno, a correção das redações começa hoje e deve estar concluída até o fim da semana.
O reitor em exercício considerou tranquilo o primeiro dia de provas na PUC. Segundo ele, o Dentel fez uma varredura para identificar eventuais transmissões de ondas de rádio nas áreas de prova, sem constatar nenhuma irregularidade. Ele afirmou que os fiscais estão orientados a prestar atenção especial em alguns candidatos, que constam da lista de 12 pessoas, fornecida pela Polícia Federal, que já provocaram problemas em outros vestibulares. Noronha não citou quais são os problemas.
Trinta e sete candidatos fizeram as provas de ontem em bancas especiais, incluindo gestantes, deficientes físicos e visuais. Segundo Noronha, foram instaladas bancas especiais nos hospitais Cajuru, Evangélico e São Vicente. Outra concessão foi a permissão para que as mães pudessem amamentar seus filhos. Foi o caso da candidata Adriana Fernandes de Lima, que está tentando uma vaga para o curso de Economia. Ela iniciou a prova de Língua Portuguesa, mas largou na metade para amamentar o filho Luiz Henrique Fernandes Lima, de apenas quatro dias de vida. A avó Dina Santiago estava com o neto João Lucas, de 32 dias, para ser amamentado pela filha Isabela Santiago, que estava tentando uma vaga no curso de Direito.
Os primeiros a concluir as provas foram Suzette Rissio, de 32 anos, que está tentando uma vaga no curso de Direito, e Paulo Leonardo Novaes de Camargo Costa, de 18 anos, também tentando Direito. Eles fizeram as provas em uma hora e meia.
Hoje, o vestibular da PUC prossegue com as provas de Matemática, Literatura Brasileira e Língua Estrangeira, com 40 questões objetivas.


