Lixo e sobras de material de construção misturam-se entre os túmulos dos maiores cemitérios de Londrina. Às vésperas do Dia de Finados, é intenso o movimento de pessoas que limpam e reformam as sepulturas. A Acesf destinou os dias 31 de outubro e 1º de novembro para lavar ruas e pintar as guias. Como era previsto, os locais onde falta calçamento manterão a cobertura do mato. ‘‘O número de funcionários é insuficiente e este trabalho exige abertura de uma licitação’’, explicou a superintendente da autarquia Camila Kauam Menezes Zulian.
  O cemitério São Pedro, que fica no centro e é o mais antigo de Londrina, está mais bem cuidado que os outros quatro instalados na área urbana. Embora gastos, o cimento e o asfalto que cobrem as ruas estão limpos. A maior reclamação do azulegista e graniteiro Gildo Aparecido Ferreira é a falta de pontos de energia elétrica no local. Segundo ele, existe apenas um, localizado na entrada principal do cemitério, de frente para a rua Alagoas. Com a proximidade do feriado que homenageia os mortos, muitas pessoas que sobrevivem da limpeza de túmulos ganham um dinheirinho extra. Para José Benedito, por exemplo, não falta trabalho desde junho. ‘‘Tenho seis clientes e uma ou duas vezes por semana passo o dia inteiro aqui’’, afirmou.
  No Jardim Ideal (Zona Leste), onde fica o cemitério Padre Anchieta, as miúdas folhas e flores das grandes sibipirunas inundam o passeio público. Para compensar a ausência de servidores, o casal Neuza e José Artuzo zelam pelos túmulos de parentes semanalmente. ‘‘No passado, a situação era melhor’’, lembra-se José. No cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte, o descaso é maior ainda. O mato alto que cerca os túmulos nos lotes particulares domina a área reservada aos indigentes. As pequenas cruzes de madeira praticamente desapareceram e o declive do terreno facilitou o escoamento da terra que cobria as covas. Este é também o maior cemitério da cidade, em área e número de jazigos.
  O desinteresse da gestão municipal acaba funcionando como um estímulo aos ladrões, que estão sempre roubando as lápides e abandonando lixo entre os túmulos. No Jardim da Saudade a reportagem da FOLHA encontrou até um carrinho de mão com restos mortais.
  ‘‘Aqui está feio, mas no Heimtal o desleixo é maior ainda’’, afirma o pedreiro Sidinei Ribeiro, ao queixar-se da taxa que é obrigado a pagar para trabalhar em qualquer cemitério da cidade. A dona-de-casa Zilda Lino usa – basicamente – as mesmas palavras para reclamar do Jardim da Saudade e se mostra desanimada até para pedir providências aos responsáveis.
  Quem precisar construir ou reformar um túmulo deve obter uma licença da Acesf até o dia 28. A pintura é autorizada até dia 29 e a limpeza, até o dia 30. Mais informações pelo telefone (43) 3323-7275.

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