Curitiba - O secretário estadual de Administração, Ricardo Smijtink, admitiu ontem, que haverá atraso na implantação do novo plano de saúde proposto pelo governo estadual para os servidores. A previsão inicial era 1º de abril. Ele não descarta, ainda, a possibilidade de ter que realizar uma nova licitação, já que das 14 regiões em que foi dividido o processo apenas seis hospitais –um de cada região– se candidataram.
O Hospital Evangélico participa nos dois lotes para o atendimento aos 136 mil funcionários e dependentes de Curitiba –a única das regiões em que estava prevista a contratação de dois estabelecimentos. Smijtink não quis revelar quais os hospitais entregaram a documentação para a pré-qualificação, alegando que o processo está sob análise da comissão de licitação, que deve concluir os trabalhos até o fim de semana.
Para Smijtink, a falta de documentação de regularidade junto a órgãos como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por exemplo, foi o principal motivo que inviabilizou a participação de um número maior de concorrentes. ‘‘A Lei de Licitações nos permite chamar os que não compareceram e negociar prazos para a entrega da documentação’’, disse. O edital foi comprado por 47 hospitais.
O secretário concordou que a proposta do plano também pode ter intimidado os concorrentes. Diferente dos planos de saúde convencionais, que pagam de acordo com os procedimentos médicos, o governo propõe o repasse de um valor mensal aos hospitais, pré-fixado com base no número de servidores que o estabelecimento irá atender. Com exceção de Londrina e Curitiba, onde o valor per capita foi estipulado em R$ 18,00, nas demais regiões o preço proposto é de R$ 16,50.
A grande resistência, no entanto, segundo Smijtink, é de um grupo que quer a manutenção do Instituto de Previdência do Estado (IPE). O secretário justifica que para manter a estrutura de dois ambulatórios (Curitiba e Londrina), o governo gasta R$ 3 milhões por mês. No novo plano o governo vai investir R$ 6 milhões, mas o servidor terá 15 unidades de atendimento. ‘‘O hospital terá a preocupação de atender com qualidade para que o paciente não precise voltar.’’ Segundo ele, hoje acontece o contrário porque quantos mais procedimentos forem feitos mais o médico ganha.
Para a Federação dos Hospitais do Paraná, o plano é inviável e não deverá se consolidar porque os hospitais não irão subsistir financeiramente com os valores propostos. A entidade calcula um mínimo de R$ 29,00, per capita, para poder prestar atendimento adequado.

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