Há algum tempo, o grande desafio dos hemocentros brasileiros era a desinformação de boa parte da população quanto à prática da doação de sangue. Hoje, em Londrina, o problema continua, mas com uma faceta diferente: o difícil tem sido conseguir doadores de medula óssea. A constatação foi feita pelo setor de Assistência Social do Hemocentro do Hospital Universitário (HU) e pelo Núcleo de Bem-Estar à Comunidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que, em pesquisa aplicada entre setembro e dezembro de 2003 com o público do campus, verificou que nada menos que 75% dos 280 entrevistados desconheciam a possibilidade da prática.
Para a chefe do setor de captação de doadores do Hemocentro, Eliana Palu Rodrigues, o índice reflete o desconhecimento que ainda se tem sobre o cadastro de doadores de medula óssea em Londrina, feito somente no HU. Uma vez registrado com dados pessoais, o candidato fica à disposição do Banco Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, para o caso de ser chamado aos testes de compatibilidade genética com futuros receptores. ''O Redome existe desde 1993, mas só de 2001 para cá, quando uma novela abordou o tema retratando personagem com leucemia, é que a sociedade passou mesmo a se preocupar da necessidade de doadores'', explicou. Quanto a isso, o governo federal deve lançar ainda este ano uma campanha nacional incentivando o cadastro de voluntários, a exemplo do que tem sido feito com a doação de sangue.
Dados do Banco Mundial de Doadores apontam que o Brasil tem pouco mais de 50 mil pessoas cadastradas. Na Argentina, porém, cuja população é menor que a brasileira, esse número sobre para 76 mil abaixo ainda, contudo, dos cerca de 3,8 milhões contabilizados nos Estados Unidos, maior fonte dos hemocentros latino-americanos, quando faltam doadores.
Apesar da desinformação constatada na pesquisa, Eliana frisou que Londrina só perde para Curitiba em número de cadastrados, com 4.263. Mesmo assim, ainda são cinco pacientes na fila de espera só este ano, contra os 10 contabilizados em 2003 (dos quais, disse, cinco morreram à espera de doadores compatíveis). ''Ampliaremos a divulgação interna e faremos em breve reuniões com professores da UEL, a fim de que levem a informação aos alunos. E isso de todos os cursos'', informou. Nesse sentido, a pesquisa ajudou além do esperado: ''Dos entrevistados, 80% solicitaram informações sobre o cadastro e nos forneceram e-mail ou endereço. Agora começa a nossa parte.''
Parte essa que tem diversas etapas, a começar pela especificação das idades-limite para a doação: entre 18 e 55 anos, se não houver parentesco com o receptor. Nesse caso, as chances de compatibilidade ficam na média de 0,1%. Com grau de parentesco, o percentual sobre para até 35%.

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