Pais desorientados, sol escaldante e muita confusão. Esse foi o retrato ontem, no Residencial Vista Bela, na Zona Norte de Londrina, onde vários pais procuravam saber se haveria ônibus para transportar os alunos para as escolas municipais. Boa parte deles não sabia que a secretaria municipal de Educação havia fretado veículos para o transporte. Dos 20 mil alunos matriculados na rede municipal de educação 420 alunos residem no Vista Bela. O ano letivo teve início ontem.
A secretaria de Educação havia previsto transporte para todos esses alunos, fornecendo cinco ônibus com capacidade para 43 alunos em cada turno, mas menos de cem alunos utilizaram o transporte. A dona de casa Izabel Brazílio Romão contou que tem três filhos e estava prestes a levar as crianças para a escola de transporte coletivo. Foi quando um dos moradores do residencial passou de motocicleta avisando os pais de que haveria um ônibus.
Algumas pessoas acabaram pagando transporte coletivo. A estudante Sandra Cesarina Moreira conta que arcou com as despesas de transporte para levar a sua filha Kethelin, de 7 anos, para estudar na Vila Recreio (Área Central). ''Ninguém da secretaria ou da escola soube me informar para onde minha filha iria, qual ônibus deveria pegar ou se ela deveria ir para outra escola. Na escola me deram o telefone de uma funcionária da secretaria de Educação, mas ninguém atendia os telefonemas'', relatou Sandra, que se mostrava muito nervosa.
Houve casos de pais que lutaram para conseguir o transporte para escolas que não estavam na rota planejada pela secretaria de Educação, pois os trajetos previam a passagem por apenas 17 das 90 escolas municipais. A desempregada Sandra Mara Souza conta que a filha Mariana, de 8 anos, está matriculada na Escola Municipal Moacir Camargo, no Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte), mas como a instituição estava fora da rota prevista acabou ficando sem transporte.
Perto
Mesmo as crianças que foram contempladas com o transporte ficaram debaixo de um sol forte até que as portas dos veículos fossem abertas. A avó de duas crianças, Alaíde Santos Carvalho, reclamou que o trabalho de cadastrar e determinar em quais ônibus cada criança entraria deveria ter sido feito antecipadamente, muito antes do primeiro dia de aula.
O trajeto dos ônibus contratados previa o embarque em três pontos da Avenida Gregório de Souza Vaccari, em quatro horários - 7 horas, 7h40, 12h30 e 13 horas. Os ônibus não pararam nesses locais previstos e nem partiram em todos os horários, afirmou a costureira Rosângela da Silva, mãe de dois alunos. Ela relata que teve que andar 15 minutos para poder embarcar os seus filhos. ''Eles deveriam passar mais perto de nossas casas. Por que os ônibus não realizam os mesmos trajetos que os ônibus circulares?''

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