Falta de acesso a informação e fortes carências nas áreas sociais: são esses os principais obstáculos que o poder público e instituições ligadas ao meio rural terão que solucionar para levar o desenvolvimento à zona rural do Município.
Os dados fazem parte do Plano para o Desenvolvimento Rural de Londrina, que vai ser lançado oficialmente, hoje, na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). ‘‘A situação da zona rural é complexa. E não adianta querer resolver os problemas da produção sem abordar, de frente, a falta de infra-estrutura e acesso à educação e saúde na zona rural’’, afirma o economista do Iapar, Moacyr Doretto.
O Plano foi elaborado através de um convênio entre a Secretaria Municipal de Agricultura, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR). Demorou cerca de dois anos para ficar pronto. Para sua realização, foi montada uma equipe com profissionais de diversas especialidades. O Iapar forneceu assessoria, tecnicas e método para elaboração do Plano. A Emater e Prefeitura aplicaram questionários.
Durante os vários estágios do trabalho foram ouvidos 450 agricultores - Londrina tem 4.765 unidades de produção (propriedades) -, representando cerca de 10% dos proprietários rurais. O estudo, explica o engenheiro agrícola do Iapar, Augusto Guilherme de Araújo, não traz ‘‘novidades’’ sobre a zona rural e a situação do produtor. Mas traça o perfil detalhado do município levando em consideração o clima, o tipo de solo, a forma de produção predominante.
Ao traçar um mapa da agricultura do Município, o estudo evidencia onde estão, quem são, o que produzem e como produzem os agricultores locais. ‘‘Os dados são imprescindíveis para a elaboração de ações e projetos que atendam às prioridades reais do campo’’, comenta o engenheiro agrícola do Iapar. E é baseado neles que o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Londrina poderá definir ações e buscar recursos no País e no exterior para a implantação de projetos.
O estudo mostra que Londrina está longe de ser homogênea. O Município apresenta pelo menos cinco regiões bem diferenciadas quanto a solo e clima. E pelo menos oito grupos predominantes no que diz respeito ao tipo e forma de produção. Outra conclusão é que continuam prevalecendo os latifúndios na região.
Cerca de 75% dos produtores do município são agricultores familiares. Eles têm como principais características o uso predominante da força de trabalho familiar e utilização de equipamentos agrícolas, ainda que simples, na produção. Mas, em comparação com os agricultores capitalistas - detentores de grandes fazendas -, os agricultores familiares detém apenas 25% da área total de propriedades rurais.
No Plano, os profissionais envolvidos deixam um alerta: a degradação do solo e a erosão continuam entre as principais ameaças à continuidade da produção no Município. Augusto de Araújo afirma: ‘‘Apesar de o nível de conscientização ter melhorado muito, ainda são poucos os produtores que implantaram o manejo de solo’’.

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