Pelo menos 20 casos de hanseníase deixam de ser diagnosticados anualmente em Londrina por falta de informação dos pacientes e dos profissionais de saúde, como prevê a dermatologista Cristina Aranda, do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar).
Segundo ela, há um decréscimo na detecção de novos casos, principalmente com a descentralização do tratamento. ''Como os sintomas demoram a se manifestar, muitas vezes o doente fica descuidado'', completa Cristina, lembrando que no ano passado, a 17 Regional de Saúde registrou 135 ocorrências da doença, 48 delas só em Londrina. ''Há cinco anos, a média de casos em Londrina girava em torno de 60 por ano, por isso a Saúde está preocupada.''
No intuito de promover o diagnóstico precoce, o Cismepar iniciou treinamentos com médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde em municípios do entorno de Londrina e em cinco postos de saúde da cidade, além de dar início, ontem, à Semana Regional de Prevenção da Hanseníase, que culminará num mutirão de médicos dermatologistas e enfermeiros na manhã do próximo sábado, na Policlínica Municipal, para avaliação de casos suspeitos.
Conforme Cristina, o tratamento da doença acontecia no ambulatório do Centro de Saúde da Região Central, mas há dois anos, por determinação do Ministério da Saúde, o cuidado para londrinenses passou a acontecer na Policlínica, enquanto pacientes regionais começaram a ser atendidos no ambulatório do Cismepar.
''Em caso de dúvida, o paciente deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima de casa, que cuidará do encaminhamento. Normalmente há prioridade ambulatorial e a consulta acontece em menos de 15 dias.''
Preconceito
Ainda segundo a dermatologista, o preconceito também dificulta o diagnóstico, além de causar sofrimento duplo ao paciente: ''muita gente ainda pensa na lepra e em pessoas isoladas, sem tratamento eficaz.''
De acordo com Cristina, apesar de ser o segundo país no mundo com mais casos de hanseníase, atrás apenas da Índia, o Brasil está próximo de erradicar a doença, que atinge cerca de 40 mil brasileiros por ano. ''Mesmo com tanta desinformação, já existe a possibilidade de cura.''
A doença afeta principalmente adultos, entre 25 e 60 anos de idade. Em Londrina, os casos concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, destaca a dermatologista, comentando que em crianças, a imunização contra a tuberculose auxilia a diminuição de casos de hanseníase em 50%. ''Esta semana de prevenção deve culminar na criação de uma comissão permanente de erradicação da hanseníase em Londrina'', anuncia Cristina.

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