Profissionais da 17ª Regional de Saúde encerram hoje no Hotel Sahão, em Londrina, um debate sobre os que os agrotóxicos causam à saúde e ao meio ambiente. Participam dele cerca de 90 pessoas vindas também de Cornélio Procópio, Jacarezinho e Apucarana. Amanhã e sexta-feira, o evento acontece em Maringá. A intenção dos governos federal e estadual é capacitar médicos e enfermeiros para diagnosticar e tratar corretamente os casos de envenenamento que ocorrem, principalmente, no campo.
De acordo com levantamento feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os 32 centros de informação toxicológica do País registraram ano passado 10 mil casos de intoxicação provocados por agrotóxicos, produtos de limpeza doméstica e raticidas. Mas, segundo o gerente-geral de toxicologia da Anvisa, Alfredo Benatto, estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que no Brasil cerca de 500 mil pessoas são vítimas desses produtos por ano.
A falta de informação dos médicos e, consequentemente, as poucas notificações são os principais obstáculos para o controle do problema. ‘‘A sensibilização dos agricultores é uma tarefa difícil que envolve técnicos, comerciantes e governo, mas se realizada de maneira contínua evitará grandes prejuízos no futuro’’, explicou Benatto.
A maioria das 150 notificações recebidas mensalmente pelo Centro de Controle de Intoxicações de Londrina referem-se a medicamentos, plantas e produtos de limpeza. Na opinião da coordenadora, Conceição Turini, isso aconcom os agrotóxicos. Normalmente, os males causados por esses produtos começam com uma dor de cabeça, dor nas pernas, indisposição, sudorese e fraqueza, mas pode levar ao câncer e até a morte.
O Centro de Saúde Ambiental, órgão da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, recebeu ano passado 618 notificações de intoxicação por agrotóxicos que resultaram em 74 mortes. Mas, de acordo com a bióloga Giselia Burigo Guimarães Rubio, esse levantamento ainda não foi concluído e a perspectiva é que o número de casos chegue a 700. ‘‘Esse aumento significa que o conhecimento sobre o assunto vem crescendo na mesma medida, mas ainda é muito pouco’’. No Paraná, a região de Londrina é a que mais contribui para as estatísticas. Segundo a bióloga, isso é consequência do serviço do Centro de Controle de Intoxicações que, por estar vinculado ao Hospital Universitário (HU), ajudou a alterar o currículo do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 98.
A lei federal 7.802 proíbe a comercialização de agrotóxicos do grupo organoclorado desde o início da década de 80. Mesmo assim ele ainda é responsável por 1,4% das mortes por intoxicação. O grupo do bipiridilio também é muito perigoso e não tem antídoto, mas na prática ele é um dos mais utilizados no Estado nas culturas de feijão, milho e algodão. Conforme Benatto, o Paraná é o maior consumidor de agrotóxicos do Brasil que, por sua vez, está entre os quatro maiores do mundo. A cada ano, o setor movimenta no País US$ 2,8 bilhões. ‘‘É uma batalha de gigantes que envolve multinacionais, por isso é tão difícil vencê-la’’, definiu o promotor do Meio Ambiente de Curitiba, Saint-Clair Honorato Santos.
Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas através do site www.anvisa.gov.br ou no Centro de Controle de Intoxicações pelo telefone: (43) 371-2244.

mockup