Edson GuittiO desempregado Abdias Silva: ‘‘Tusso muito e nunca fui ao médico’’.A falta de acesso à informação sobre a doença é o principal motivo do aumento de casos de tuberculose nos 29 municípios da região de Maringá subordinados à 15ª Regional de Saúde. Em 95, dos 168 casos notificados, a Regional registrou três mortes. Em 96, dos 151 casos, quatro resultaram em mortes. Este ano, já foram notificados sete casos. ‘‘Com certeza, existem muitos mais casos que a gente não sabe. E tem muita gente andando por aí com a doença já instalada, espalhando o bacilo dentro de ônibus e ambientes fechados, sem saber de nada’’, afirmou a enfermeira Neiva Higaki, da 15ª Regional.
A enfermeira lembra que a doença atinge principalmente a população de baixa renda desses municípios. ‘‘Sem acesso à informação e aos hospitais e postos de saúde, essas pessoas, quando começam a tossir, tomam qualquer remedinho e acham que isso vai resolver o problema’’. Segundo ela, quando um caso é notificado nos postos de saúde da região, uma equipe da Regional vai ao endereço do paciente e examina toda família. São feitos raios-X e baciloscopia de escarro.
Neiva alerta que quem estiver com tosse e expectoração por mais de quatro semanas consecutivas, suores noturnos e falta de apetite (a pessoa geralmente emagrece) deve procurar com urgência um posto de saúde. O tratamento é feito à base de três antibióticos: risonpcina, isomiezida e piradizinamida, que são distribuídos gratuitamente aos pacientes.
‘‘O nosso maior problema é convencer os pacientes a aceitar o tratamento. A maioria começa a tomar os remédios e não retorna aos postos de saúde’’, afirma Neiva. Ela avisa que a prevenção à tubercolose é feita através da vacina BCG, obrigatória para os recém-nascidos. A vacina protege contra as formas mais graves de tubercolose, que atingem os olhos (pode deixar o paciente cego), a pele, gânglios, laringe, ossos, articulações, intestino, rins e pulmão.
Normalmente, a doença atinge os dependentes de álcool, que não possuem defesas orgânicas suficientes para combater a doença. O desempregado Abdias Silva, 44 anos, por exemplo, bebe cachaça todos os dias: ‘‘Todos os dias acordo com tremedeira e sempre tomo uma para firmar o pulso’’, conta ele.
Abdias dorme em albergues noturnos de Maringá e passa o dia na Praça Raposo Tavares, sentado. ‘‘Nunca fui ao médico, de vez em quando eu tusso muito, mas como espetinho, café com leite e pão com manteiga’’.

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