Para a socióloga Francisca Vergínio Soares, professora do departamento de Ciências Sociais da UEL e da Uninorte, a desigualdade social e a miséria que constituem a sociedade brasileira ganham dimensões maiores com a atitude dos parlamentares de aumentar os próprios salários, ‘‘e reforça no imaginário da população o sentimento de injustiça social’’, salienta.
  Ela questiona a proposta dos senadores e deputados federais, que decidiram elevar seus próprios salários de R$ 12,8 mil para R$ 24,6 mil, ‘‘num País onde o trabalhador tem que sobreviver com um parco salário de R$ 350’’.
  Ao todo, o Brasil possui 513 parlamentares. São Paulo lidera a lista com 70 deputados, seguido por Minas Gerais com 53, Rio de Janeiro com 46 e Bahia com 39 deputados. O Paraná tem 30 representantes na Câmara. Eles recebem um salário fixo por um trabalho de carga horária flexível.
  ‘‘Se é difícil para eles viverem com o salário atual, fora as regalias que possuem, o que dizer do trabalhador? Este sim um verdadeiro herói porque tem que fazer milagres com tão pouco rendimento’’, argumenta Francisca.
  A socióloga chama a atenção para um dado curioso: o parlamentar brasileiro ganha mais com salários e mordomias do que os congressistas americanos. Somente de salário um deputado federal brasileiro ganha R$ 55 mil a mais que um colega norte-americano durante o ano. Somando as verbas recebidas durante as convocações extraordinárias, os vencimentos anuais de um parlamentar correspondem a cerca de R$ 410 mil.
  ‘‘O congressista americano, embora trabalhe mais, recebe pouco mais de R$ 350 mil por ano, sem direito a benefícios como auxílio-moradia e viagens, ambos pagos do próprio bolso’’, informa Francisca.
  Para ela, é desalentador constatar a desigualdade existente se comparada às outras áreas do setor público, como a educação, na qual os professores, desde o ensino médio às universidades, são tratados com descaso por esses mesmos parlamentares. (M.G.)

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