O medo é um dos primeiros sentimentos que vêm à tona no momento em que uma doença crônica é diagnosticada em um parente próximo. Quem já passou pela situação afirma que uma das maiores preocupações é decidir quem vai cuidar do paciente, que passa a exigir atenção em tempo integral. Na maioria dos casos, quem assume a responsabilidade é um membro da família. O cuidador passa a viver em função do outro e começa a sentir um grande desgaste emocional.
A psicóloga Michelle Moreschi, especialista em oncologia, afirma que o cuidador deve buscar meios para prevenir o estresse e a depressão. Ela explica que existem dois tipos de cuidadores, o formal e o informal. ''O formal é o profissional contratado para atender o doente. Já o informal, que é o mais comum, é quando alguém da família passa a ocupar a função'', explica Michelle. Ela acrescenta que por uma questão cultural na grande maioria das vezes quem passa a cuidar do paciente é uma mulher da família.
Michelle enfatiza que é necessário que todo cuidador busque equilíbrio emocional para não adoecer também. A psicóloga conta que já aconteceu de o cuidador morrer antes do próprio doente. ''Teve um caso em que a mulher estava cuidando do marido que sofria de câncer e acabou morrendo antes dele. A fadiga emocional é muito grande'', alerta.
Segundo a psicóloga, é importante não deixar de realizar atividades prazerozas, a fim de se distrair e conviver com outras pessoas. Além disso, de acordo com Michelle, a pessoa responsável pelo doente deve conhecer o seu limite e não hesitar em buscar ajuda quando necessário.
''Normalmente elas não aceitam a situação de estresse e não recorrem a nenhum tipo de apoio. Às vezes é necessário buscar uma terapia para amenizar o problema'', diz.
Outra recomendação é buscar o máximo de informações sobre a doença e discutir sobre os sintomas, reações adversas e tratamentos indicados com os familiares. ''Com isso, é possível elaborar um plano de cuidado em conjunto'', observa.
Foi o que aconteceu na família do aposentado Shin Iti Ariji. Quando os médicos diagnosticaram o Alzheimer em sua mãe, de 91 anos, a família se reuniu, conversou sobre o problema e decidiu se revezar nos cuidados. ''Minha mãe precisa de atenção o tempo todo. Ela não faz nada sozinha'', relata Ariji, que passou pela mesma situação com a esposa, que morreu em 2006.
''Cuidei muito da minha mulher que também teve Alzheimer. É preciso amor e paciência para cuidar do familiar doente. Além disso, é importante estar atento com a própria saúde. Faço caminhadas todos os dias'', conta.

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