A terceira edição da Casa Japão mostra que, em meio a uma cultura marcada por costumes milenares, também há espaço para a vanguarda. Quem imaginaria um vestido de noiva feito de papel? A curiosa criação será mostrada hoje, às 20 horas, pela artista plástica londrinense Kioko Morita, autora de uma vasta coleção de obras fabricadas inteiramente com papel.
O desfile foi organizado em parceria com os artistas plásticos Fábio Bueno, Tuti Nunes, Massaki Oba, Álvaro Okamura e Wanda Marioka. Além do vestido de noiva, o ''desfile de papel'' mostrará roupas de inspiração samurai, bolsas com motivos tropicais, guetás (chinelos em estilo oriental) e chapéus. Kioko explica que a mostra também presta uma homenagem aos imigrantes japoneses que vieram trabalhar nas lavouras de Londrina e à fase floral do café.
''A homenagem se deve ao fato de que a própria Casa Japão começou com a agricultura. Além disso, quero mostrar as possibilidades do papel'', diz. As peças são tão consistentes e bem acabadas que enganam a vista e até o tato, se assemelhando mais a madeira do que papel. ''Elas também são usáveis, desde que se evite a chuva'', observa.
O desfile ainda carrega um apelo da artista: ela quer despertar nos empresários da indústria papeleira a necessidade de melhorar a qualidade do papel brasileiro, que hoje fica a dever para no mercado internacional. ''É uma matéria-prima barata, com a qual se pode fazer de tudo usando apenas a criatividade'', ressalta.
Para os mais desconfiados, o desfile de hoje também irá mostrar modelos em tecido são 32 peças de estilo tradicional oriental.(V.N.)

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