Desfile de moda ecológica
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sábado, 30 de setembro de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
A pouco mais de 100 metros da Escola Municipal Atanázio Leonel, no Jardim São Jorge (Zona Norte de Londrina), há uma pilha de entulho jogada na rua. Para que a falta de consciência ecológica de quem jogou o lixo ali não atinja os estudantes, a escola começou um trabalho preventivo. A escola organizou uma semana cultural com o tema ''Meio Ambiente e Saúde'', com atividades de pesquisa, trabalho em campo e apresentações relativas ao tema.
''Os alunos puderam conhecer melhor todo o processo de reciclagem. Eles também fizeram um mutirão recolhendo materiais jogados nas ruas do bairro'', relatou Maria Inês Lozano, diretora da instituição. Ela revelou que uma turma ficou incumbida de trazer materiais recicláveis de suas próprias casas semanalmente para que eles possam verificar quanto lixo se junta em tão pouco tempo. ''Muitos pais de alunos trabalham com reciclagem, e achamos interessante abordar esse assunto de uma maneira que se aproximasse da realidade deles'', afirmou a supervisora Narcimélia Scarinci, acrescentando que o tema vem sendo abordado pelos professores há cerca dois meses.
A escola tem 548 alunos de 1 à 4 séries. Cada turma ficou incumbida de tratar sobre um assunto, como higienel pessoal, alimentação, reciclagem e doenças. Para encerrar as atividades, 40 alunos da 3 e 4 séries organizaram um desfile de moda ecológica, com roupas confeccionadas com a utilização de materiais recicláveis, que ocorreu ontem à tarde.
Uma sombrinha estragada, embalagens tetra pak de leite, anéis de latas de refrigerante, sacos de plástico, jornais, papelão - a matéria-prima das criações variou de acordo com a criatividade de pais e filhos. ''Eu ajudei minha mãe a fazer. Acho que ficou muito bonito'', contou Ariany Inglês Vozinei, do 3º ano. Assim como a mãe de Ariany, segundo a professora Josiana Maria Franco Caprera, muitos outros pais também se envolveram na confecção das roupas, sendo que alguns até se prontificaram a ajudar a preparar as crianças para o desfile. ''Muitos trabalham, e não têm tempo de ficar com os filhos. Por isso essa atividade ainda serviu para promover essa convivência, além de mostrar às crianças que elas têm capacidade e melhorar sua auto-estima.''
Os alunos confeccionaram ainda brinquedos e outros objetos a partir dos materiais recicláveis, além de um globo terrestre que seria recheado com lixo, em uma alusão ao fato de o mundo atual estar precisando de mais limpeza. ''Também enterramos diversos materiais e desenterramos tempos depois, para que as crianças pudessem ver na prática a diferença na decomposição'', acrescentou a diretora.
Para os professores, os resultados são perceptíveis até dentro da própria sala de aula. ''Os alunos passaram a se preocupar mais com a limpeza nas salas, recriminando os colegas que fazem sujeira ou que têm lixo jogado em frente às casas'', contou. A escola comemora também os reflexos que esse trabalho pode ter dentro do próprio bairro. ''Essa consciência ecológica vai refletir dentro da família. Os filhos vão cobrar dos pais, e ensinar o que aprenderam em sala de aula'', avaliou a professora Regina Margarete Devechi de Azevedo.
''Tem gente que joga lixo no chão e isso é errado. O ar fica sujo'', alerta Helen Kawana Satogava, 10 anos, mostrando o que aprendeu. Ela confessa, porém, que já jogou papel de bala ''no cantinho perto do bueiro'' por não ter cesto de lixo por perto. ''Mas dentro da escola eu coloco dentro da bolsa'', informou, mostrando que consciência ecológica se aprende aos poucos - e por isso mesmo, quanto antes, melhor.


