Desfile da Independência mescla patriotismo e protestos
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quarta-feira, 07 de setembro de 2011
Vítor Ogawa <br>Reportagem Local 
Alguns professores aproveitaram o desfile de 7 de Setembro para protestar contra as emendas apresentadas no projeto 223/2011 na Câmara de Vereadores que decidiu que a reposição salarial de 10% a partir de agosto de 2011 e a incorporação do Produt aos servidores ativos, aposentados e pensionistas da educação teria um desconto dos 37% de perdas salariais dos servidores. O diretor de uma escola municipal, Sílvio Sposito, diz que os vereadores faltaram com o respeito com a categoria. A faixa que os professores levantaram dizia que os professores da rede municipal de ensino foram traídos por vereadores de Londrina.
Houve também um grupo que protestou contra a corrupção que se reuniu às 8 horas da manhã em frente ao Terminal Urbano de Londrina e aproveitou a data para criticar a postura dos políticos em seus cargos públicos. Embora a previsão dos organizadores da manifestação previsse que quase 200 pessoas participariam do protesto, o grupo que esteve no local para protestar não chegou a 10% disso.
Mas o desfile não foi marcado apenas por protestos. Também foi possível conferir diversos exemplos de patriotismo. ''Ser patriota é valorizar a bandeira e a terra onde nascemos''. Assim o ex-integrante da Força Expedicionária Brasileira, José Soares Neto, de 89 anos, definiu a importância da celebração do 7 de Setembro. Soares Neto participou da tomada do Monte Castello na Itália durante a Segunda Guerra Mundial e foi um dos destaques do desfile realizado em Londrina para celebrar os 189 anos do grito de Independência realizado às margens do Rio Ipiranga.
O ex-expedicionário, que chegou a ser ferido em combate ao ser atingido por estilhaços de um morteiro, se emociona ao falar que a participação de uma guerra gerou muito sofrimento. '' Quando eu começo a lembrar eu me comovo, pois é uma experiência nada agradável'', conta. Ele diz que os soldados brasileiros não tinham experiência em combate e sofreram nas mãos de soldados alemães. ''Eram soldados sanguinários, que maltratavam a gente'', relembra.
Ao lado de Soares Neto se posicionaram três ex-integrantes das Forças de Emergência da Organização das Nações Unidas, conhecidas atualmente como Forças de Paz da ONU: Urias Alves, 75, Rogério da Silva, 68, e José Rosa da Silveira, 73. Os três atuaram como voluntários na Faixa de Gaza nos anos de 1958 e 1959 entre Israel e a atual Palestina. ''Nós cuidávamos de uma faixa de 100 quilômetros com o apoio do governo egípcio'', relembra Silveira. Ele conta que tomava conta do depósito de alimentos que era alvo de saques da população local. ''Eu fazia parte do pelotão suicida, que rebia ordens para sair em missão, mas que não tinha certeza se iria voltar'', conta.
Para Urias Alves, a cena mais marcante que presenciou em Gaza foi a pobreza. ''É uma pobreza diferente da que vemos no Brasil, onde existem recursos para eliminá-la embora não tenhamos valores políticos para fazê-lo'', comenta. Para ele, o patriotismo brasileiro anda ''meia-boca''. '' No meu tempo de estudante as crianças cantavam o hino e hasteavam a bandeira antes de cada aula'', diz.
Rogério Silva conta que as Forças de Emergência receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1988 e ostenta com orgulho a medalha que recebeu na época. Ele diz que o 7 de Setembro é importante para relembrar aqueles que representaram o Brasil lá fora.


