Desespero toma conta de amigos e pais do menino
ReproduçãoEwerton de Lima Gonçalves, desaparecido em 23 de dezembro de 1988Desespero toma
conta de amigos
e pais do menino
Dez anos da vida de José Vicente e Eliane de Lima Gonçalves foram dedicados à procura de Ewerton. Com a possibilidade de ter encontrado o filho morto, ontem, foi inevitável o desespero. Ai meu Deus! Você não pode fazer uma coisa dessas comigo, disse Eliane, em prantos. Abalada, ela precisou ser medicada para suportar o drama. Toda a família, inclusive os dois filhos menores, haviam ajudado nas buscas.
A dor da família era indescritível. Várias vezes Eliane foi ao chão de tanto chorar. Agachado, José Vicente passou a mão sobre o crânio encontrado, como se acariciasse o filho. A gente foi tão longe nesse Brasil. Procuramos em tantos lugares. Eu não acredito que ele estava aqui tão perto de casa, afirmou. Era disso que eu tinha medo, de encontrar ele morto.
Mauro FrassonJosé Vicente e Eliane, com o filho Emerson, choram ao ver o crânio que pode ser de Ewerton. Era disso que eu tinha medo, de encontrar ele morto, diz a mãeParentes e amigos confortaram o casal e os filhos. A mãe do menino Guilherme Caramês Tiburtius, que está desaparecido desde 17 de junho de 1991, Arlete Caramês, também estava muito emocionada. Chorando, ela disse que teme encontrar o filho morto. De repente pode ser o meu filho. Pode ser qualquer uma das crianças desaparecidas, disse ela. Para Arlete, quem fez as denúncias anônimas ao Sicride sabe como ocorreu o crime.
Eliane disse que procurar Ewerton faz parte de sua vida e que torce para que o exame de DNA seja negativo. A minha vontade de encontrá-lo é tamanha que não vou desistir, disse. Com o desaparecimento de Ewerton, Eliane afirmou ter triplicado os cuidados com os outros três filhos: Cleverton, 12 anos, Emerson, 9 anos, e Anderson, 5 anos. (Colaborou Anna Camanducaia).





