Desespero faz mãe drogar o próprio filho
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quarta-feira, 04 de outubro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Se não fosse uma situação real, seria difícil acreditar que uma mãe chegaria ao ponto de comprar droga para o próprio filho usar diante de seus olhos. Mas na Zona Oeste de Londrina, a catadora de papel Maria das Graças Santos Rocha, 52 anos, vive esta realidade desde que virou refém do vício em tíner de seu caçula, Leandro de Jesus Santos Rocha, 22 anos. Ela diz saber que a compulsão pela droga está matando o jovem aos poucos mas argumenta não encontrar outra forma de ajudá-lo. ''Sei que eu estou acabando de matar meu filho mas não tem outro jeito'', fala a mãe, quase que se desculpando.
Maria das Graças conta que o filho teria começado a usar tíner e cola aos nove anos. ''Quando descobri, já fazia três anos e ele estava viciado'', recorda. Depois de tomar consciência do vício do Leandro, a mãe iniciou sua luta para livrá-lo das drogas. Na adolescência, o garoto chegou a ser preso e passou por vários períodos de internação. Mas quando retornava para casa não conseguia se livrar da dependência.
A catadora de papel afirma que, mesmo assim, continuava sua saga em busca de ajuda. Mas sempre ouvia a mesma coisa: ''todo mundo me dizia que não podia fazer mais nada porque ele tinha que querer o tratamento''. E assim ela via os anos se passando e percebia que a cada dia o filho se afundava mais e a mãe decidiu manter o vicío do filho para não ter que vê-lo sofrendo por causa da abstinência.
Hoje em dia, ela gasta boa parte do que ganha para comprar litros do solvente para dar ao filho. ''Se eu não compro e o Leandro fica algumas horas sem usar ele já começa a vomitar e fazer necessidades dentro de casa. Eu não aguento ver essas coisas'', lamenta a catadora de papel. A cada intervalo de pouco mais de meia hora, ela ensopa com thiner o trapo que fica diuturnamente nas mãos do filho. Tremendo, ele coloca o pedaço de pano inteiro na boca e dá longas aspiradas. O semblante muda, os olhos miram para todos os lados e o rapaz se acalma por alguns instantes. Até para levá-lo à igreja, como fez na tarde de ontem, ela precisa levar o tíner. A latinha com a substância fica escondida numa árvore próxima da paróquia.
Maria das Graças sabe que a droga está devastando o resto de vida que ainda sobra ao seu filho mais novo. Há oito meses, após ter fraturado o joelho esquerdo, o jovem passou a andar numa velha cadeira de rodas e só se alimenta com a ajuda da mãe. Nem banho ele tem condições de tomar sozinho. A vizinhança também ajuda como pode. ''Já recebi ajuda de muita gente, de vizinho, de igreja, de entidades, mas nada deu certo'', aponta a mãe. A saúde de Leandro é tão frágil que o rapaz sequer consegue pronunciar frases compreensíveis. Só a mãe é capaz de decifrar as poucas coisas que ele diz.
Por tudo isso, Maria das Graças percebe que Leandro já não necessita somente de uma clínica que possa tratar sua dependência. ''Eu queria ajuda para conseguir internar ele num hospital, porque ele precisa de um médico de osso de perna, não só de psicólogo e assistente social'', pede. Quem puder oferecer algum tipo de ajuda pode telefonar para Santina, vizinha de Maria das Graças - (43) 3348-2048.


