Avaliar a capacidade de entendimento e determinação de uma pessoa. Essa é a função do psiquiatra forense. O laudo produzido por ele, em conjunto a uma psicóloga, diz se um indivíduo tem ou não capacidade para ser julgado e apenado. As perícias dessa área são detalhadas e envolvem depoimentos de outras pessoas e análises de prontuários médicos. Por motivos de segurança, o médico ouvido pela FOLHA não se indentificou.
''Outro exame que fazemos é o de dependência toxicológica, que visa constatar se uma pessoa de fato é viciada em drogas ilícitas. Investigamos a vida dele, desde o nascimento até a data do cometimento do crime. E só esse exame pode dizer se há ou não dependência'', explica.
Provas técnicas periciais são cada vez mais importantes. ''Aqui já teve caso de um corpo chegar como sendo de suicida e sair como sendo de uma vítima de homicídio. Isso foi fundamental para que a polícia prendesse o assassino'', comenta o chefe do IML de Londrina, Fernando Picinin.
O químico-legal Ademar Consalter, 31 anos de IML, completa lembrando que já ajudou a elucidar crimes com um simples achado de esperma no corpo da vítima. ''O nosso trabalho não é tão mirabolante como as vezes o cinema mostra, mas no geral acaba sendo muito perto daquilo que é exibido nos filmes policiais. O fato é que o perito nunca pode dizer que acha, ele tem que ter uma conclusão'', explica Consalter.
Durante um bom tempo, com seu microscópio, reagentes e outros equipamentos, ele examinou de tudo no IML de Londrina, fazendo uma boa parceria com os médicos-legistas. Até a parte de toxicologia, constatando se, de fato, os materiais apreendidos pela polícia como sendo drogas ilícitas eram mesmo entorpecentes, ele fez. Mais tarde, a burocracia constatou que isso não era função do químico-legal e as drogas passaram a ser enviadas para a capital. Resultado: no ano passado, o IML de Curitiba fez 42 mil exames toxicológicos, atendendo ao estado inteiro.
Das 17 unidades do IML no Paraná, apenas Londrina e Curitiba contam com o serviço de odontologia-legal. Em Londrina são três profissionais. A equipe é cada vez mais solicitada para os exames de corpo de delito, além de ser essencial para a identificação de cadáveres em adiantado estado de decomposição ou com as características físicas de identificação prejudicadas.
Doutora em humanização no serviço médico legal pela Universidade de São Paulo (USP), Isabel Cristina não esconde que, mesmo com mais de 20 anos de experiência na profissão, os casos que atende ainda a sensibilizam. O mesmo acontece com a maioria de seus colegas, fato comprovado pela pesquisa que ela fez para o doutorado. ''Desenvolvemos nossos mecanismos de defesa. Não há formação para isso'', finaliza. (W.S.)

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