Londrina - Uma heroína chamada Super Di é a estrela dos desenhos da série "Treinamento para resolver problema sociais em crianças pequenas", idealizado pela pediatra e comunicadora em saúde, a professora Marie Leiner, da Texas University (EUA). De forma lúdica e divertida, crianças de três a sete anos aprendem valores e atitudes como respeito, limites, amizade e a política do bem, por meio de histórias que envolvem diversos temas e situações. O material, que foi traduzido e dublado para o português e teve os direitos cedidos pela autora, está em fase de experimentação em algumas escolas públicas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) de Londrina.
O projeto "Desenhos animados educativos no desenvolvimento do comportamento pró-social" de fomento de disseminadores do material é realizado pela docente Maria Luiza Casanova, do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento (CCB), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
De acordo com Maria Luiza, assim que conheceu o material, percebeu que este poderia ser facilmente implantado na realidade local, já que, uma das finalidades é diminuir o comportamento da violência das crianças e na prevenção de outros problemas, como a droga. "É um material para ser utilizado para resolver problemas sociais num período em que ainda dá tempo da personalidade ser modificada. Não se trata de um desenho de entretenimento, mas de um desenho educativo a ser usado por professores e gerar uma discussão posterior", explica. Para tanto, iniciou a experiência no projeto Galera de Deus, iniciativa que oferece atividades no contraturno para crianças da zona leste. "Vimos uma mudança significativa no comportamento deles, pois se enxergam nos personagens dos desenhos."
Para viabilizar a ferramenta, conseguiu apoio financeiro para a impressão e legendada do material gráfico e contou com apoio dos estúdios da Rádio UEL FM e do Laboratório de Tecnologia Educacional (Labted) para a dublagem. Com vários temas, o DVD possui dez histórias, sendo que cada vídeo é dividido em duas partes de dois minutos: uma de introdução do problema e outra de espécie de solução. Nesse intervalo, os professores conversam com as crianças para ver o que acham do assunto. "O objetivo não é doutrinar as crianças, mas levá-las a refletir sobre seu próprio comportamento e das pessoas ao redor. É fornecer ferramentas para que ela tenha uma alternativa de suas atitudes para o bem dela e coletivo", comenta Marie Leiner, que veio ao Brasil ministrar uma palestra no encerramento de um curso de formação de professores, os quais receberam dicas sobre como usar o desenho em sala de aula. A cerimônia de encerramento será realizada no sábado.

PRÁTICA
Basta observar por poucos minutos as crianças da Escola Municipal Maria Shirley Barnabé Lyra (zona oeste) para ver que elas realmente entendem do que as histórias estão falando. Super atentas e concentradas, as crianças de cinco e seis anos, ao término da primeira parte do vídeo "A menina que não queria tentar fazer algo novo", vão logo falando o que acharam. "Eu nunca tinha comido manga antes. Mas daí, minha mãe me deu para experimentar e eu gostei", disse uma delas. Em seguida, um emenda: "Eu nunca andei de bicicleta sem rodinhas, mas vou tentar", garantiu o menino. Ao término do vídeo, a professora deu continuidade com uma atividade que consistia em colocar roupas e acessórios diferentes e se permitir dançar ou cantar algo novo.
De acordo com a professora Ana Elisa Duarte Matheus, os vídeos são uma ótima ferramenta para tratar com naturalidade diversas questões sociais. "Sempre realizo alguma atividade complementar para reforçar o tema. Uso dramatização, contação de histórias e atividade de movimento. Eles gostam e, cada um a sua maneira, participa."
Ela diz que ainda é cedo afirmar que o comportamento tenha modificado, mas que eles compreendem totalmente o que está sendo passado. "Quando algum deles comete algum deslize, imediatamente já falam da Super Di e que isso não poderia ser feito."

SERVIÇO
Mais informações sobre o projeto pelo e-mail [email protected]

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