Em 1977, o arquiteto Hely Brêtas Barros, hoje com 74 anos, foi procurado pelo então Secretário Municipal de Obras, Romeu Demattei, que lhe fez um pedido urgente: ''Ele disse que no dia seguinte chegariam os caminhões com as pedras brancas e pretas, na mesma quantidade, para serem colocadas no Calçadão mas o problema é que ainda não tinha o desenho.'' Barros se sentou em frente à prancheta e em apenas uma tarde desenhou os grandes elos das correntes que hoje já fazem parte da história de Londrina.
Com o traçado pronto, faltava o molde em madeira para os funcionários fazerem o rejuntamento. Com as pedras, que vieram de Paranaguá, chegaram homens acostumados com o serviço, que prestariam uma espécie de assessoria técnica. Resolvidos os problemas, depois de mais de dois meses de trabalho, as toneladas de pedras brancas e pretas finalmente formaram o desenho no chão. Barros, aliás, creditou à falta de experiência no trabalho de rejuntamento os problemas que acabaram forçando à reforma do piso do Calçadão. Outro fator que contribuiu para a soltura das pedras foi o uso de jato de água na lavagem do local.
Mesmo com os problemas, o arquiteto disse que se sente ''muito satisfeito'' quando observa fotos do Calçadão. Para ele, o espaço acabou se tornando um ponto identificador da cidade, assim como acontece com outros calçadões famosos mundo afora, por exemplo, o Rio de Janeiro. Quanto ao desenho, ele explicou com simplicidade: ''as correntes, com os elos, significam união''.
O trabalho do arquiteto no Calçadão, no entanto, não se restringiu apenas ao desenho do petit-pavet. Um outro pedido do então secretário, que Barros relembrou dando risadas, foi para que desenhasse também os sanitários das praças do Calçadão, já que o projeto inicial deixou de lado esse detalhe. ''O pessoal ia tomar chope naquele monte de quiosque e...''

mockup