Desenho ajuda no desenvolvimento infantil
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
Fernanda Carreira<BR>Reportagem Local 
Pintar, desenhar, recortar e montar são atividades que prendem a atenção das crianças por horas. Muito mais do que um passatempo, hoje se sabe que essas atividades podem estimular regiões específicas do cérebro, além de aprimorar a capacidade de se relacionar socialmente.
Foram as aulas de desenho que transformaram o comportamento Victor Emmanuel da Costa, 12 anos. A atividade se tornou uma paixão, segundo a mãe do menino, a estilista Cleusa Gonçalves da Costa. Segundo ela, o garoto tem dislexia e sempre tomou remédio para hiperatividade, mas depois que começou a fazer as aulas, há um ano e meio, ele ficou uma criança bem mais centrada.
Para Cleusa, as aulas estimularam a concentração e possibilitaram o desenvolvimento da criatividade. ''Hoje, ele tem facilidade para criar histórias, inventar personagens e está louco para seguir a carreira de desenhista'', explica.
Gustavo Zolinger Zanin, professor do garoto, destaca que, além da capacidade de concentração, ele tem desenvolvido cada vez mais os traços nos desenhos. Zanin comenta que as aulas permitem maior percepção do próprio corpo, além de ampliarem a noção de simetria, de como se constitui um cenário e da importância de luz e sombra para se compor o desenho.
Além disso, o professor detalha que procura transmitir mensagens positivas para as crianças durante as aulas. ''Nós trocamos muitas ideias, faço com que percebam a importância da cooperação com os colegas para o sucesso do trabalho final e da atenção ao que estão realizando.''
Segundo Zanin, geralmente as crianças começam a fazer desenhos por hobby. Como o passar do tempo, muitas sentem afinidade e se identificam com a profissão. Para ele, o mercado editorial tem crescido cada vez mais e, com essa maior visibilidade, cresceu o interesse das crianças pelas animações. ''Há procura grande pelo Mangá, histórias em quadrinhos vindas do Japão e que têm uma narrativa diferenciada'', observa.
De acordo com Eloir Pacheco, editor e quadrinista, ao produzirem os desenhos as crianças estão em contato com a literatura, o que favorece também a imaginação.
Para ele, o ideal é começar a estudar desenho aos 12 anos. Antes disso, a atividade deve ser lúdico-pedagógica. ''Quando o adolescente tem realmente o interesse em se especializar, é possível fazer curso profissionalizante'', afirma.
O editor explica que o curso dura em média dois anos e, com o passar do tempo, os alunos se tornam cada vez mais atentos. ''Percebemos uma mudança radical, a organização da criança com os desenhos é algo perceptível'', destaca. Durante as aulas, que ocorrem de três a quatro horas por semana, são trabalhadas noções de anatomia, luz e sombra, perspectiva e vestuário.
Pedro Henrique Farias Maschio, 11 anos, faz aulas de desenho e pintura há dois anos. De acordo com sua mãe, quando mais novo, o garoto já havia estudado Mangá. ''Agora, ele faz desenhos de vários gêneros e as aulas desenvolveram muito sua criatividade e concentração'', complementa. ''Ele precisa ter paciência, porque é preciso apagar, fazer de novo, estar sempre atento ao que está fazendo.''


