A Casa da Acolhida e do Regresso, instalada na Rodoferroviária de Curitiba, registrou desde o ano passado um crescimento na chegada de pessoas que vêm para a cidade em busca de emprego. A equipe de assistentes sociais orienta os migrantes sobre as dificuldades do mercado de trabalho para quem, na maioria das vezes, tem apenas uma certidão de nascimento e nenhuma qualificação. Outra situação bastante comum é de pessoas que descobrem os serviços sociais e passam a ser itinerantes, ou seja, viajar de cidade em cidade em busca de emprego, com passagens recebidas das prefeituras.
Tratamentos de saúde e visitas a presos são outros motivos que trazem pessoas carentes para a cidade. Mas, segundo a assistente social Marisa Mendes de Souza, coordenadora da Casa da Acolhida e do Regresso, o que mais preocupa são os migrantes itinerantes, que correm o risco de se transformar em população de rua. Por isso, a equipe faz uma entrevista com as pessoas que procuram o serviço, investigam sua origem e tentam convencê-las a voltar para a cidade em que nasceram ou onde têm família.
Inicialmente as pessoas são encaminhadas para os albergues e depois de três dias passam por uma nova avaliação. Se tiverem alguma perspectiva de emprego ou quiserem insistir, podem ficar no albergue até completar, no máximo, oito dias. Com a declaração do empregador, as pessoas conseguem ficar mais 30 dias no albergue até se estabilizarem. ’’Sabemos que 30 dias é um período curto para se estabilizar numa cidade como Curitiba, mas não temos condições de sustentar todos que procuram o serviço, nem de dizer que eles não têm chances de conseguir’’, diz a assistente social.
Dina Bueno, 36 anos, veio de União da Vitória para Curitiba em busca de emprego, trazendo cinco filhos. Ela conta que passou frio e fome, dormindo na rua com as criaças, mas não quer voltar para casa. Dina pediu passagens para procurar o irmão em Florianópolis, mas a assistente social quis que ela comprovasse que seu irmão mora lá. Orientada a ir ao Juizado para deixar as crianças temporariamente numa instituição e poder procurar emprego, ela decidiu tentar, pela última vez, como diz, não se separar dos filhos.(MK)

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