Desemprego gera disputa de mercado
Especial para a Folha
Com o aumento do desemprego, é cada vez maior o número de trabalhadores autônomos a procura de pequenos serviços, como pintura, jardinagem, encanamento e reparos elétricos. A concorrência preocupa os mais antigos na área, que disputam sua clientela com um serviço mais barato e normalmente com menor qualidade, oferecido pelos novatos.
O eletricista Valtecir Ribeiro da Silva, no mercado há 28 anos, diz que no último semestre sentiu uma queda de 30% no número de chamadas para pequenos reparos residenciais. Ele acredita que seus maiores concorrentes são eletricistas que vão de porta em porta oferecendo trabalho. Sei que o trabalhador perdeu o emprego e acaba sendo eletricista ou encanador para sobreviver. Mas hoje em dia, qualquer um que sabe emendar um fio se denomina um profissional, alerta Valtecir.
O maior trunfo dos profissionais de porta são os preços mais baixos. O trabalho mais simples de um eletricista custa de R$ 20,00 a R$ 25,00. Silva diz que os concorrentes oferecem serviços cobrando a metade do praticado no mercado, o que cativa o cliente. Seria melhor para quem precisa desses pequenos serviços é procurar profissionais experientes e de firmas cadastradas, aconselha.
O Procon registrou nos últimos seis meses, 76 reclamações de maus serviços, abandono de trabalho e demora na finalização, contra pintores, eletricistas, marceneiros, sapateiros, e outros trabalhadores autônomos. A recomendação da coordenadoria é para, antes de contratar o serviço, o consumidor peça referências do prestador.
Tudo indica que grande parte dos que precisam de pequenos reparos não estão acreditando na máxima da reforma residencial que diz que o barato custa caro. Esta constatação é feita pelo orçamentista de pintura Edson Felipe Mucholowski. A firma em que trabalha está no ramo de pinturas residenciais há 18 anos e nos últimos seis meses viu 60% da sua clientela desaparecer. Segundo Edson, muitos clientes pedem o orçamento, mas não efetivam o contrato porque o serviço qualificado custa mais caro.





