Desemprego faz sonho virar pesadelo
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Alexandre Sanches 
O sonho acabou. A crise econômica que atingiu o Japão deixou os dekasseguis - brasileiros descendentes de japoneses - em situação desalentadora. O desemprego atinge alto índice no país e as empreas priorizam o emprego ao cidadão japonês. O resultado disso é o que se tem visto nos noticiários. Brasileiros sem dinheiro, morando precariamente, sem ter como voltar para casa. Estima-se que 30 mil dekasseguis estejam nessa situação.
Há pouco mais de um mês a Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibrás), com sede em São Paulo (SP), a Nipomed (cooperativa de médicos nipo-brasileiros com atuação nos dois países) e a Vasp iniciaram um trabalho para resgatar famílias em situação precária no Japão. Já foram repatriadas 12 pessoas, todas elas apresentando problemas de saúde. O presidente da Asibrás, Sérgio Morinaga, participou esta semana em Londrina do lançamento da campanha da Folha SOS Dekassegui, que vai dar apoio jornalístico aos trabalhos da associação.
No mês de junho, a Nipomed Japão realizou o cadastramento de brasileiros que vivem nas cidades de Iwata, Toyohashi, Ota, Hamamatsu e Tsu. Morinaga, que passou 20 dias acompanhando o cadastramento das famílias, disse que é inadmissível ver como as pessoas estão sofrendo com a falta de atendimento médico-hospitalar. Temos casos de pessoas que não tinham condições de deixar o hospital por não ter como pagar. Minoru Kubota, 56 anos, um dos repatriados, ficou desempregado dois meses e internado um mês, com dívidas no hospital. Conseguimos trazê-lo de volta, mas um filho dele ficou para saldar esta dívida, comentou.
Foram resgatados, na primeira etapa, Kubota, a mulher dele, Júlia Massaco Kubota, de São Paulo, e Lucimara Alves Wajima, de Londrina. Na segunda, mais nove pessoas foram trazidas de volta, sendo quatro de Londrina - Ilza Kurokawa Chuha e as filhas Elis Regina Rossi, Erika Adeline Rossi e Eliza Caroline Rossi. Todos estão recebendo o apoio médico e psicológico da Nipomed, sem custos às famílias.
Agora a Asibrás busca o apoio empresarial para que outras pessoas possam ser resgatadas. A Vasp concede para a campanha 50% de desconto nas passagens. A meta de Sérgio Morinaga é que outras companhias aéreas entrem na campanha e possam conceder as passagens de volta. Em Londrina, a Sena Construções entrou na campanha doando uma passagem.
Queremos que a comunidade brasileira se sensibilize com o real problema dos dekasseguis. Infelizmente, muitas pessoas não recebem estas informações porque seus familiares no Japão evitam contar o que estão passando para não preocupá-los. Mandamos cartas para o presidente Fernando Henrique Cardoso, para o governador do Paraná, Jaime Lerner, para alertá-los, mas até agora não tivemos resposta, declarou.
As pessoas e empresas paranaenses interessadas em ajudar na Operação Resgate, ou queiram informar sobre algum parente ou amigo que esteja passando necessidade no Japão, poderão entrar em contato com o escritório da Nipomed em Londrina, que fará o contato com a Asibrás. O endereço é Rua Professor João Cândido, 1515, térreo, ou pelo telefone (043) 324-1505.


