Desemprego é o maior dos últimos anos
Leonina Fernandes de Azevedo e Henrique Weyne se conheceram na última segunda-feira, numa fila com aproximadamente 500 pessoas que chamava a atenção na Rua Amintas de Barros, no Centro de Curitiba. Os dois foram atraídos por um anúncio para a contratação de 60 operadores de caixa dos Hipermercados Big, que pretende inaugurar até o dia 25 deste mês sua filial curitibana.
Nesse encontro eles descobriram que só tinham em comum os 21 anos de idade e que a maior diferença entre os dois era a experiência profissional - Leonina tem de sobra e Henrique, nenhuma. Ele buscava seu primeiro emprego.
Esse diferencial chamado experiência fez com que Leonina ficasse com a vaga, mesmo sem terminar o 2º Grau. Enquanto isso, Henrique, que fala alemão, tem conhecimentos de informática e vai fazer vestibular para Direito no meio do ano, não conseguiu o emprego que pagaria R$ 260.
Mauro Frasson...que poderia ser de Henrique Weyne, que tem melhor formação culturalEnquanto Leonina saiu das estatísticas do desemprego, Henrique continua a integrar essa legião que, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira, soma 7,94% da população economicamente ativa do Brasil. Esse número é o maior dos últimos 16 anos para o período e revela que o mercado está inchado de trabalhadores disponíveis e ávidos por emprego.
Nesse momento delicado em que qualquer indicador seria útil para ajustar e orientar as políticas de criação de emprego e da capacitação de mão-de-obra, o governo do Estado do Paraná suspendeu a realização da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) no mês de outubro de 1997.
De lá para cá, o Departamento Intersindical de Pesquisa e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento (Ipardes) estão parados aguardando uma definição sobre a retomada do levantamento de novos dados.
Um dos coordenadores do governo para o projeto, Edson Villela, informou que as pesquisas devem ser retomadas apenas em outubro, e isso, na melhor das hipóteses.
Villela informou que o convênio está em vias de ser assinado pelo governador Jaime Lerner, e que depois da contratação e treinamento do pessoal as pesquisas devem voltar a acontecer mas sem a participação do Ipardes, que vai ser substituído pela Universidade Federal do Paraná. (G.V.)





