O aumento da criminalidade em Londrina tem pouca relação com o tráfico de drogas. Esta é a opinião do chefe interino da Polícia Federal (PF), o delegado Nilson Souza. Para ele, o desemprego é o maior culpado pelos índices de violência na cidade. No ano passado, Londrina computou 117 assassinatos, o maior número de sua história. Boa parte dos crimes, segundo policiais civis, são resultado de acerto de contas entre traficantes e gangues. Os assaltos a ônibus coletivos, que somente em uma semana chegou a 47, são atribuídos pela comunidade ao tráfico de drogas. Em 2001 foram registrados 468 roubos a coletivos.
A facilidade de comercialização de drogas em determinados locais da cidade, como na Avenida Brasília, zona oeste de Londrina, onde uma adolescente foi apreendida esta semana vendendo papelotes de pasta-base de cocaína, não significa que a PF está de braços cruzados. Os federais, informou Souza, estão atuando diariamente. ‘‘A Polícia Federal não tem que dar satisfações para a população. Temos sim que cumprir nosso trabalho’’, criticou.
A PF, segundo o delegado, fez um mapeamento dos locais críticos onde existe o tráfico de entorpecentes. As buscas, afirmou Souza, estão sendo empreendidas e muitas vezes os resultados são negativos. Contudo, ele admitiu que o tráfico existe na cidade, mas ‘‘pegar a droga picada é difícil’’.
Os postos de abastecimento são conhecidos da PF, afirmou Souza, mas ainda não é o momento certo de chegar até aos fornecedores e fazer uma varredura na cidade. Antes disso, acrescentou, seria preciso ‘‘quebrar a estrutura da rede do tráfico’’. O delegado garantiu que ‘‘tem agendado’’ o momento de desmantelar o tráfico.

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