Desemprego e fome na periferia
Incerteza. Esse é o sentimento de boa parte da população carente de Londrina. Sem serviço, muitas famílias dependem da ajuda do governo para garantir a alimentação. É o caso da senhora Ana Aparecida dos Santos Teodoro, 55 anos, que mora com o marido, a filha e um neto em uma casa popular no Conjunto Novo Amparo, zona norte. Ana Teodoro é doméstica desempregada e o marido trabalha fazendo bicos como servente de pedreiro. A cesta básica que ela recebe do município ajuda a garantir a alimentação da família. Outra moradora do bairro que depende da cesta básica para se alimentar é Eugênia Martins Pereira, 64 anos, que é viúva e vive com duas netas menores, de dois e dez anos. No caso da dona Eugênia, a cesta é provisória, somente para três meses. ''A assistente social vem aqui depois dos três meses para ver se eu ainda preciso receber'', explica.
O problema é que, algumas vezes, a suspensão da cesta básica parece injusta. A senhora Corina Vieira de Carvalho, 63 anos, deixou de receber o benefício depois que o marido, Elias de Moreira de Carvalho, 69 anos, se aposentou. Agora o casal recebe apenas o vale-gás. Dona Corina sofre de úlcera nas pernas e diz que precisa fazer uma cirurgia de emergência, mas não tem dinheiro para pagar o tratamento, pois a aposentadoria do marido cobre apenas as necessidades básicas do casal.
O caso mais crítico é o da senhora Maria Inês Lopes, 46 anos, funcionária de uma central de abastecimento. Dona Maria Inês mora com o marido, Adão Lopes de Souza, 60 anos, e recebia cestas básicas desde que ele sofreu um derrame há quatro anos. Depois que conseguiu o emprego, ela deixou de receber a cesta básica do município, com a justificativa de que os R$ 200,00 que recebe por mês são suficientes para manter o casal. Mas o marido precisa de material adequado para a higiene pessoal, como fraldas e sondas. '' O meu salário dá para comer, mas não sobra para mais nada. Não consigo comprar as fraldas para ele, tenho que usar panos e depois limpar tudo. É difícil cuidar de uma pessoa adulta como se fosse uma criança'', reclama.
O Novo Amparo e alguns bairros próximos têm aproximadamente 500 famílias cadastradas na prefeitura para receber cesta básica. A Secretaria Municipal de Ação Social disse que o procedimento de ceder cestas provisoriamente é comum e serve para atender as famílias em momentos de necessidade. Se for preciso, o benefício é mantido.





