Desemprego assusta zona rural
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 1997
Alexandre Sanches 
Da Redação
Mário CésarTrégua da chuvaGeraldo Benedito Leite, 76 anos, segue para o trabalho com o tempo bom do final da semana passada: Tenho que correr atrás do prejuízoAs chuvas consecutivas, nos dois últimos meses, não só transtornaram a vida na zona urbana dos municípios banhados por rios, como também agravaram a crise social enfrentada pelos trabalhadores rurais volantes (bóias-frias) e pequenos produtores. Em muitos municípios do Estado, bóias-frias chegaram a ficar mais de 30 dias sem trabalho. Resultado: a procura por ajuda nas prefeituras e igrejas foi intensa.
Na semana passada, os presidentes de sindicatos dos Trabalhadores Rurais de todo o Estado se reuniram em Curitiba, numa assembléia da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Paraná (Fetaep) para discutir o reflexo das chuvas no campo. O tesoureiro da entidade, Mário Plefk, disse que a situação é crítica e que o trabalhador rural, se não perdeu tudo o que tinha com os alagamentos, passa necessidades pela falta de emprego.
Por causa das condições de vida, muitos trabalhadores ficaram doentes. Além disso, os empregadores não contratam o bóia-fria com o campo enxarcado, explica. Plefk lembra ainda que em muitas culturas agora é período de entressafra, o que também dificulta a absorção de mão-de-obra.
No entanto, na reunião da Fetaep, os sindicalistas não aprovaram nenhuma proposta imediata para reverter a situação. Só iremos recorrer ao governo se as chuvas persistirem, ressaltou o tesoureiro. Ele reconhece, no entanto, que esta é a pior crise enfrentada pelos trabalhadores rurais, desde a cheia de 1983.
Por causa das características de cada município, quanto ao perfil do homem do campo, a Fetaep inicia dia 17 uma série de reuniões nos núcleos regionais com os sindicatos. Os problemas deverão ser debatidos isoladamente, abordando a chuva, cláusulas da convenção coletiva de trabalho, bóias-frias desempregados e a velha questão dos trabalhadores que lutam por carteira assinada.


