Desemprego ameaça 22 mil atendentes
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quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Paulo Pegoraro 
Aproximadamente 22 mil atendentes de Enfermagem estão em vias de perder o emprego em clínicas e hospitais do Paraná, por causa da determinação federal que exige curso técnico para o exercício da função. O prazo final para a substituição por atendentes formadas venceu em junho. Porém, dificuldades para efetivar novos funcionários levaram ao adiamento do prazo até o início do ano que vem.
A situação é muito delicada, porque há dificuldades para habilitá-las como auxiliares, e estas são em número insuficiente para substituí-las, disse Dalva Selzler, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Cascavel e Região. Há apenas 8 mil auxiliares em todo o Estado e o número das formadas anualmente em cursos técnicos é reduzido, segundo Dalva.
Estes cursos oferecem poucas vagas. Outro problema é a carga horária, que impede que a pretendente estude e trabalhe ao mesmo tempo. Dalva esteve reunida com a presidente da Federação dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do Paraná, Clarinda de Oliveira, que percorreu várias cidades da região Oeste do Estado para avaliar a situação com dirigentes sindicais. Além do desemprego em massa, o caos pode se estabelecer na Saúde do Paraná, prevê a presidente da federação.
Segundo Clarinda, outros Estados adotaram soluções como o curso a distância, com apostilas e vídeo, ou no próprio local de trabalho. Ela diz que no Paraná o Senac ministra cursos com custos muito elevados, longos períodos e conteúdos que não têm sido atualizados.
Os sindicatos querem a participação das secretarias da Saúde e do Emprego e Relações do Trabalho na organização de cursos intensivos, em caráter emergencial. A intenção é habilitar as atendentes até o início de janeiro.
O concurso realizado em agosto no Hospital Regional de Cascavel para admissão de pessoal mostrou como a substituição é difícil. Segundo o diretor geral, Marcos Horikawa, 50 vagas de auxiliar de enfermagem deixaram de ser preenchidas. Foi necessário pedir a qualificação de 31 atendentes no Conselho Regional de Enfermagem.
Horikawa considera correta a substituição das atendentes. Muitas vezes, elas são oriundas da cozinha ou de outras funções não diretamente ligadas à Saúde, mas das quais se exige o mesmo desempenho de uma pessoa com formação.
Segundo Horikawa, em Cascavel são formadas aproximadamente 30 auxiliares a cada ano. Ele considera o número muito abaixo das necessidades. Entre as atendentes que correm o risco de perder o emprego está a própria presidente do sindicato de Cascavel e região. Dalva está na atividade há 22 anos. Como não é licenciada para a função sindical, continua trabalhando e recebe um salário de R$ 350,00. O sindicato é integrado por 1.036 trabalhadores - na maioria, atendentes.


