Os desempregados ganharam uma entidade para representá-los na Cidade: o Comitê dos Desempregados de Londrina.
Formado com o apoio de vários sindicatos de trabalhadores, o Comitê fez seu lançamento oficial ontem, na rua Sergipe (área central). A coordenação montou uma barraquinha para coletar nome e endereço de todos os interessados em compor a entidade. O principal objetivo é unir os trabalhadores desempregados e pressionar o poder público para criação de novas vagas de trabalho no município.
Membro da coordenação do Comitê, o vigilante desempregado Francisco Murilo afirma que o problema em Londrina é grave. ‘‘Sem informações reais da situação, sem o perfil dos desempregados e das principais dificuldades para que ele retorne ao mercado de trabalho, o poder público e a própria comunidade vão continuar fingindo que o problema não existe.’’ Murilo culpa a política federal pela recessão, mas acentua que os municípios precisam procurar suas próprias soluções.
Francisco Murilo observa que, organizados em um comitê, os desempregados têm como garantir sua participação nos vários Conselhos Municipais. Ele esclarece que o Comitê pretende tirar o desempregado da ‘‘marginalidade’’ e colocá-lo no meio das decisões. ‘‘O reflexo do desemprego começa individualmente, depois atinge a família e a comunidade em geral. Para combatê-lo, só mesmo uma ação conjunta.’’
O Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Londrina não tem estimativa do número de desempregados no município. Segundo o gerente, Júlio Cesar dos Santos Zanoni, 8 mil pessoas procuram o Sine, mensalmente, à procura de uma vaga.
Os sindicatos de trabalhadores computam uma perda de, em média, 50% das vagas disponíveis em suas categorias, nos últimos anos, segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Londrina e Região, Gabriel Trindade. Ele afirma que nos últimos cinco anos o número de vigilantes trabalhando na área caiu de cerca de 800 para 400. ‘‘A criação do Comitê é muito importante para as entidades representantes dos trabalhadores. Através dele vamos poder estimular também a formação destes trabalhadores, ajudando na busca de alternativas de função.’’
Paralelamente, o Comitê pretende atuar na área social, estabelecendo contato com os órgãos públicos (Sanepar, Copel, Sercomtel) no sentido de conseguir subsídio das contas. O Comitê dispõe de poucas pessoas. Por isso, os interessados em se inscrever na entidade podem entrar em contato com a organização pelos telefones 329.7980 ou 322.0029.

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