Desempregados aprendem ofício e renovam esperança
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quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Trinta e seis novos profissionais se preparam para ingressar no mercado de trabalho em Londrina e tentar mudar a realidade de desemprego e pobreza que permeou suas vidas nos últimos tempos. Ontem, alunos do segundo curso de capacitação em jardinagem e açougue, promovido pelo programa Fome Zero, receberam, do prefeito Nedson Micheleti (PT), os certificados de conclusão.
Cada formando tem uma história de luta por trabalho para contar. Cléverson Ricardo de Souza, 22 anos, trabalhou durante um bom tempo como encadernador. Sem emprego, ele passou apenas dois meses. Mas foi uma eternidade para quem tinha esposa e três filhos pequenos para sustentar. ''A gente se vira como pode, e Deus ajuda um pouco. Ainda não tenho uma vaga em vista, mas seria pior ainda se eu não tivesse feito o curso. Tenho esperança de que o trabalho aparece'', afirma. Enquanto isso, Souza treina jardinagem no próprio quintal, numa casa da região central de Londrina.
David Elias da Silva, 19 anos, teve mais sorte. Deixou currículo em um mercado do Parque Ouro Branco (Zona Sul) e, mal terminou o curso de açougue, já foi contratado. ''Nunca tinha mexido com isso, mas não foi tão difícil. Sem esse emprego, eu já estava decidido a ir trabalhar na roça, em Ivaiporã'', conta. Apesar de morar com o pai, Silva ganhou, há dois meses, um novo motivo para batalhar por um emprego: um filho.
Para José Aleixo da Silva, 56 anos, um emprego como jardineiro será a chance de abandonar os trabalhos pesados e as dores constantes na coluna. Depois de anos lidando na roça, ele foi dispensado. A saída foi trabalhar na cidade, como pedreiro. ''Há oito anos não contribuo com a Previdência. Se não conseguir emprego, fico sem esperança de me aposentar'', afirma. Aleixo tem de garantir o sustento de um filho de 14 anos e da esposa, que perdeu o emprego após a extinção da Frente de Trabalho. ''Agora estou renovando a esperança'', garante.
A turma que recebeu os certificados começou com 40 alunos. Segundo a gerente administrativa do Programa de Voluntariado Paranaense (Provopar), Lenir Cândida de Assis, os poucos desistentes foram pessoas que conseguiram ''bicos'' ao longo do curso, e não quiseram abrir mão do dinheiro. ''Desempregados, eles vivem com essa dúvida: se prosseguem no curso para aprender um novo ofício ou se aceitam um trabalho temporário mesmo'', justifica.
Os participantes dos cursos promovidos pelo Fome Zero municipal são selecionados entre usuários de programas assistenciais e atendidos por igrejas e entidades. A prioridade, de acordo com Lenir, é para pessoas que já possuem alguma habilidade ou estão necessitando de emprego. ''As áreas de capacitação também não são escolhidas ao acaso. São áreas em que constatamos que existem vagas no mercado'', assinala. A Agência Local do Sistema Nacional de Emprego (Sine) intermediou a contratação de 23 das 65 pessoas que se formaram pela primeira turma do projeto. Os próximos cursos terão início em dezembro e vão ensinar os ofícios de costureiro, pedreiro, encanador, eletricista e porteiro.


