Desempregado sobrevive do lixo há quatro anos
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Curitiba 
Jonas de OliveiraMário Maio: Ninguém dá emprego para uma pessoa da minha idadeO lixo pode ser reciclado, aterrado, queimado. Para alguns de pouca sorte o lixo pode também ser comido. O carpinteiro desempregado Mário Fernandes Maio, de 63 anos, mora com a mulher e dois filhos pequenos, às margens da BR-116, próximo às instalações da Petrobrás em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.
Maio conta que começou a viver dos resíduos da sociedade há quatro anos, quando, desempregado há cinco anos, descobriu que no Ceasa os comerciantes jogavam fora os alimentos reprovados nos critérios de classificação. Maio começou a frequentar o local, onde conseguia recolher frutas e verduras do lixo para alimentar a família. Com o tempo, conseguiu um carrinho onde transportava alimentos em melhor estado e vendia para bares e lanchonete das cercanias.
Cinco meses depois, ele percebeu que o lixo que tinha mais valor era o inorgânico (metais, plásticos e papéis) e transformou o terreno em volta da sua casa em um depósito de lixo. Passou então a percorrer as empresas da região e convencia os encarregados de retirar os rejeitos a enviá-los para sua residência.
Maio mora hoje em meio ao lixo e diz que não tem outra opção. Eu não tenho alternativa pois ninguém dá emprego para uma pessoa da minha idade, reclama. Sobrevivendo atualmente com uma renda mensal de R$ 200,00, obtida com a venda de material reciclado, ele diz que recebeu no mês de janeiro a visita de fiscais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que determinaram que os detritos deveriam ser cobertos com terra no prazo de 15 dias, sob pena de interditação do local. Se isso acontecer, eu vou ter que voltar a comer do lixo, constata. (G.V.)


