Dorico da SilvaSem-empregoOliveira: ‘Estão me enrolando e até agora não recebi nada’O desempregado Luiz Cabral de Oliveira, 32 anos, morador do Jardim Paraíso (zona norte), procurou a Folha para reclamar da situação que está enfrentando, segundo ele, gerada por um acidente de trabalho. Oliveira foi contratado pela frente de trabalho da Prefeitura e estava trabalhando na reforma de uma sala da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina quando parte da parede desabou, atingindo sua perna esquerda. O acidente aconteceu em fevereiro do ano passado.
‘‘Desde que me acidentei nunca mais pude trabalhar. Fiquei com uma perna mais curta que a outra. Minha perna vive engessada’’, disse. A falta de um trabalho, segundo Oliveira, acabou trazendo outro problema. ‘‘Minha mulher foi embora com meus dois filhos porque dizia que eu não sustentava a família’’.
O desempregado entrou com ação trabalhista no Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da Universidade Estadual de Londrina, pedindo indenização pelo acidente de trabalho. ‘‘Mas estão me enrolando e até agora, mais de um ano depois, não recebi nada’’, reclama.
Procurada pela Folha, a assessora jurídica da Cohab, Eudir Maria Costa Ferreira, informou que o contrato de Oliveira era temporário e terminou em março de 1996. ‘‘Ele recebeu os direitos mas entrou com reclamatória trabalhista’’, diz a assessora. Segundo ela, a audiência está marcada para 29 de setembro.
Eudir Ferreira disse que na semana passada foi procurada por Oliveira, que aparentava sinais de embriaguês. ‘‘Ele veio propondo um acordo para retirar a ação. Pediu R$ 4 mil e depois baixou o valor para R$ 700,00’’, conta a assessora.
Segundo ela, como existe uma ação trabalhista qualquer acordo deve ser feito pelo juiz. ‘‘A Cohab vai pagar o que for preciso mas não pode fazer acordo fora da ação’’.

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