Uma rua estreita, de chão batido, separa os municípios de Londrina, no Olímpico 2 (zona oeste), e Cambé. Mas a olho nu praticamente não existe divisão: os barracos denunciam que a situação social dos moradores, de lado a lado, é praticamente a mesma, independende de diferenças geográficas.
Jeremias Tavares do Nascimento, 24 anos, não está bem certo em qual cidade ele está instalado; e também não está muito preocupado em saber. A única certeza é a esposa e a filha de três anos que têm para criar, além do emprego perdido na construtora Encol. Quando veio o aperto, há um mês e meio, ele tratou logo de arrumar um lugarzinho no ‘‘Olímpico 3’’.
‘‘Eu morava no Leonor (também zona oeste) e pagava R$ 150 de aluguel. Aí a firma faliu e ficou tudo muito difícil. Cheguei a passar apuro’’, conta. Segundo ele, a opção pelo local foram as notícias de que a Cohab estaria regularizando a situação dos sem-teto na região.
Jeremias levantou o barraco na parte de Cambé. Sem ligação de água ou de energia elétrica, ele vai se virando como pode: empresta água dos vizinhos, acende lampião à noite.
A situação de Jeremias é parecida com a de quase 300 famílias que estão do lado de Cambé. Destas, quase a metade ainda tem uma preocupação a mais: o terreno é propriedade particular e o dono conseguiu liminar com mandado de reintegração de posse na Justiça. O prazo para desocupação acabou quinta-feira, mas as famílias continuam lá. Elas ameaçam acampar em frente a Prefeitura de Cambé se forem obrigadas a sair dos lotes.
(Lúcio Horta)

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