Desempregado mata filho e se suicida em Apucarana
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Maurício Borges 
Foram sepultados ontem, às 17 horas, no Cemitério Municipal Cristo Rei, em Apucarana, o desempregado Rogério Adriano dos Santos, 24 anos, e seu filho A.S., de um ano e oito meses. No velório o clima era de emoção e revolta, porque criança foi morta pelo próprio pai. Ambos foram encontrados enforcados em casa.
Rogério estava inconformado com a separação da mulher, Regina Marques dos Santos, 22 anos, que ficaria com o filho. Por isso, teria decidido matar A.S. e depois cometer suicídio. Os corpos foram encontrados às 19h30 de anteontem, na residência do casal, no Jardim Ponta Grossa.
Segundo a polícia, que foi avisada por vizinhos, pai e filho estavam lado a lado, no quarto do casal, com os pescoços presos a cordões de nylon e pendurados numa viga do teto. O delegado João Batista Pinto, encarregado do inquérito, ouvirá a partir de hoje Regina Marques dos Santos e familiares de Adriano Rogério dos Santos.
Segundo ele, o casal tinha problemas financeiros, mas a motivação de Adriano para cometer o crime e o suicídio, de acordo com relatos preliminares de seus irmãos, teria sido a separação proposta pela esposa. Conforme revelaram os irmãos, Adriano gostava muito de Regina e também não admitia ficar separado do filho, informou o delegado.
Ameaças Em entrevista concedida à Rádio Nova AM, de Apucarana, Regina Marques dos Santos denunciou que sequer pôde ver seu filho morto, e que, em frente sua residência, sofreu ameaças de morte por parte dos irmãos de Adriano. Abalada, Regina contou que há três anos casou grávida com Adriano. A princípio tudo corria bem, mas com o passar do tempo surgiram problemas e o casamento não dava mais certo, disse, acrescentando que várias vezes foi violentamente agredida pelo marido.
Regina afirmou que numa primeira tentativa de separação, Adriano ameaçou matar a todos. Com medo da reação dele, ela decidiu recuar. Agora, segundo Regina, ele já estava conformado com a separação. Tudo estava acertado, e quando voltei para casa buscar minhas coisas e meu filho, encontrei esta tragédia, afirmou na entrevista.
Ela fez questão de dizer que Adriano era trabalhador e não tinha vícios. Frisou ainda que, na separação, não exigia sequer pensão para o filho. Havíamos acertado para que fosse dividido o que tínhamos em casa, e que ele poderia ir ver o filho quando quisesse, contou Regina.


