Foram sepultados ontem, às 17 horas, no Cemitério Municipal Cristo Rei, em Apucarana, o desempregado Rogério Adriano dos Santos, 24 anos, e seu filho A.S., de um ano e oito meses. No velório o clima era de emoção e revolta, porque criança foi morta pelo próprio pai. Ambos foram encontrados enforcados em casa.
Rogério estava inconformado com a separação da mulher, Regina Marques dos Santos, 22 anos, que ficaria com o filho. Por isso, teria decidido matar A.S. e depois cometer suicídio. Os corpos foram encontrados às 19h30 de anteontem, na residência do casal, no Jardim Ponta Grossa.
Segundo a polícia, que foi avisada por vizinhos, pai e filho estavam lado a lado, no quarto do casal, com os pescoços presos a cordões de nylon e pendurados numa viga do teto. O delegado João Batista Pinto, encarregado do inquérito, ouvirá a partir de hoje Regina Marques dos Santos e familiares de Adriano Rogério dos Santos.
Segundo ele, o casal tinha problemas financeiros, mas a motivação de Adriano para cometer o crime e o suicídio, de acordo com relatos preliminares de seus irmãos, teria sido a separação proposta pela esposa. ‘‘Conforme revelaram os irmãos, Adriano gostava muito de Regina e também não admitia ficar separado do filho’’, informou o delegado.
Ameaças Em entrevista concedida à Rádio Nova AM, de Apucarana, Regina Marques dos Santos denunciou que sequer pôde ver seu filho morto, e que, em frente sua residência, sofreu ameaças de morte por parte dos irmãos de Adriano. Abalada, Regina contou que há três anos casou grávida com Adriano. ‘‘A princípio tudo corria bem, mas com o passar do tempo surgiram problemas e o casamento não dava mais certo’’, disse, acrescentando que várias vezes foi violentamente agredida pelo marido.
Regina afirmou que numa primeira tentativa de separação, Adriano ameaçou matar a todos. Com medo da reação dele, ela decidiu recuar. Agora, segundo Regina, ele já estava conformado com a separação. ‘‘Tudo estava acertado, e quando voltei para casa buscar minhas coisas e meu filho, encontrei esta tragédia’’, afirmou na entrevista.
Ela fez questão de dizer que Adriano era trabalhador e não tinha vícios. Frisou ainda que, na separação, não exigia sequer pensão para o filho. ‘‘Havíamos acertado para que fosse dividido o que tínhamos em casa, e que ele poderia ir ver o filho quando quisesse’’, contou Regina.

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