Desempregado diz à polícia que matou casal para roubar
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O desempregado João Carlos Rodrigues, 21 anos, confessou ontem à polícia, que matou um casal de bóias-frias na madrugada de domingo em um conjunto habitacional de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina) para roubar.
De acordo com o delegado de Porecatu, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, Rodrigues contou informalmente a ele, com riqueza de detalhes, como foram consumados os homicídios, admitindo ter premeditado a ação. Hoje, ele deverá assinar o depoimento com a presença de um advogado.
O desempregado esporadicamente frequentava a residência do casal. No final da tarde de sábado, conforme o delegado, ele teria feito uma visita para reconhecer o terreno. Calculou o valor dos eletrodomésticos, utensílios e objetos (cerca de R$ 300,00) e decidiu praticar o roubo de madrugada. Antes de sair da casa, observou os objetos usados para cometer os assassinatos.
Ele teria procurado, sem êxito, um veículo para transportar o produto do roubo, como confirmaram algumas testemunhas. Decidiu então esconder tudo em uma plantação de capim próximo ao bairro.
Rodrigues voltou às 2h30 e encontrou o casal nu na sala. Marcos Alves, 30 anos, foi até o quarto se vestir. Neste momento, o rapaz entrou na casa e atingiu com um pedaço de ferro (que estava do lado de fora) a cabeça de Clarionice dos Santos de Oliveira, 45 anos, que estava deitada no sofá. Depois foi até o quarto com um socador de pilão e atingiu a cabeça de Alves. Agonizantes, os dois ainda receberam golpes de enxada no rosto.
Para explicar tanta violência, o desempregado disse ao delegado que, além de conseguir algum dinheiro, ele queria se vingar do casal, que o havia denunciado há alguns meses, quando ele furtou a casa de uma vizinha. Não acredito nesta versão. O que ele queria, era apenas roubar. Agora quer encontrar justificativas para esta barbaridade, interpretou Amaro.
Para que não corra risco de linchamento (segundo o delegado, a população do conjunto habitacional está muito revoltada), Rodrigues aguardará julgamento em uma cela da Delegacia de Porecatu. Ele será julgado por latrocínio e pode ser condenado a pena de até 30 anos de reclusão.





