O desempregado Arnaldo Portilho Bloch, 37 anos, degolou seus três filhos, Amanda Aparecida Luna Bloch, de 3 anos, André Luís, de 2, e Arnaldo José, de 6 meses, com uma faca. O crime ocorreu anteontem à tarde, no bairro da Barra Funda, em Ourinhos (SP). As crianças foram enterradas ontem no início da tarde, em Jacarezinho, onde vivem familiares das vítimas. Bloch está preso na 1ª Delegacia de Ourinhos e deve depor hoje.
Bloch trabalhava como zelador de um prédio em Jacarezinho, mas havia se mudado há dez dias para Ourinhos porque perdeu o emprego. Segundo a família, ele já esteve envolvido com drogas quando morou em Santos (SP) e há algum tempo vivia nervoso porque a primeira mulher, com quem teve dois filhos, estava exigindo a pensão alimentícia das crianças.
Pouco antes do crime, sua segunda mulher, Rosângela Conceição Luna de Oliveira, 28 anos, mãe das três crianças mortas, deu queixa na Delegacia da Mulher contra Arnaldo. Rosângela disse que havia brigado com o marido na noite anterior e estava com medo das ameaças que vinha sofrendo.
Segundo o investigador da Delegacia Seccional da Polícia de Ourinhos, Maury Amaral, 47 anos, Bloch agredia fisicamente a mulher. ‘‘Os vizinhos afirmam que ele gostava das crianças, mas o problema eram as brigas com a mulher’’, disse o investigador.
Quando Rosângela voltou para casa, acompanhada do irmão Renato Luna, estava decidida pela separação. O irmão, então, resolveu comunicar a decisão a Bloch, que estava sozinho em casa com os filhos. Minutos depois, Bloch se trancou no quarto com as três crianças e degolou-as. Quando saiu de casa estava com as mãos ensanguentadas e gritava: ‘‘Quero morrer, quero morrer’’. A polícia foi imediatamente acionada e o irmão de Rosângela deteve Bloch até a chegada de policiais.
O investigador Maury disse que Arnaldo afirma ter tentado o suicídio, mas ele não acredita nessa hipótese. ‘‘A tentativa de suicídio não pode ser verdadeira porque os cortes feitos no pulso e pescoço são muito superficiais’’, concluiu. Para o delegado da Regional de Polícia de Jacarezinho, Arnaldo Abujamra, ‘‘o crime foi um absurdo, uma loucura. Essa pessoa só pode estar louca para cometer uma barbaridade dessas, não tem lógica’’.
Enterro Mais de duas mil pessoas acompanharam o enterro no cemitério de Jacarezinho. A polícia isolou a área para evitar tumulto. A mãe das crianças, Rosângela, desmaiou e foi levada ao pronto-socorro.

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