A polícia de Maringá confirmou ontem que o desempregado Eli Lourenço Montanholi, 23 anos, premeditou o crime que resultou na morte do estudante Ricardo de Oliveira Silva, 12 anos. Montanholi foi preso na noite de anteontem, nove horas depois do crime, na casa de um tio em Mandaguaçu. Depois de preso confessou à polícia que foi até o apartamento de Ricardo para cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 4 mil do pai dele, o construtor Marcelo de Oliveira Silva.
Antes de sair de casa em Sarandi, onde mora com a família, o desempregado fez ponta em uma faca de cozinha, que usou para matar Ricardo. A versão dele bate com a narrada pela polícia antes da prisão. Montanholi disse à Folha que saiu de casa disposto a acertar as contas com Marcelo. ‘‘Sabia que ia ele ia me enrolar, então levei a faca...ia matar ele’’, afirmou. O desempregado entrou no apartamento por volta das 8 horas sem problemas, já que havia trabalhado com o construtor e conhecia a família. No local estava apenas Ricardo. ‘‘Ele (Ricardo) estranhou a hora que eu cheguei, mas ficamos assistindo TV juntos’’, contou.
Cerca de uma hora depois de chegar ao apartamento, ele ligou para o celular de um irmão da vítima, Rogério, avisando que não deixava o local sem receber. Por volta das 11 horas, segundo Montanholi, o estudante começou a zombar. ‘‘Ele disse que eu estava fazendo papel de palhaço, que o pai dele não iria aparecer e nem me pagar. Fiquei nervoso’’, revelou o desempregado. A primeira reação, confessou, foi dar um golpe no estudante.
Depois ele diz ter derrubado o garoto no chão e aplicado os golpes com a faca, que trazia no bolso. ‘‘Só me lembro que dei um golpe na barriga dele’’, afirmou. Segundo a polícia foram 12 golpes no abdômen e nas costas de Ricardo. Antes de deixar o apartamento, Montanholi incendiou alguns papéis em uma lixeira no quarto da vítima. O fogo queimou parte do quarto. Montanholi vai responder por homicídio doloso. ‘‘Acabei com minha vida. Não faria isso de novo’’, disse.
O enterro do corpo de Ricardo de Oliveira, realizado ontem no Cemitério Municipal, foi acompanhado por vários amigos do estudante. A família do menino não quis se manifestar sobre o crime.

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