Desempregado ameaça se jogar de prédio
James Alberti
De Curitiba
Carlos Fonseca subiu até o 13º andar do prédio abandonado do Fórum de Curitiba. Ele chegou a cidade para procurar parentes
O rondonense Carlos Alberto Fonseca, 24 anos, ameaçou ontem se jogar do 13º andar do prédio que deveria abrigar o Fórum de Curitiba, no bairro Centro Cívico. A construção está abandonada e condenada por causa de problemas na estrutura. O jovem ficou cerca de 30 minutos sentado na ponta do último andar do edifício. Durante este tempo, policiais militares tentaram convencê-lo a não pular. A ação de salvamento só foi levada a frente com a chegada do Corpo de Bombeiros. O tenente Ricardo da Silva, distraiu Fonseca por quatro minutos antes de agarrá-lo.
A tentativa de suicídio parou o Centro Cívico. Dezenas de pessoas se aglomeraram em frente ao 2º Tribunal do Júri, que fica ao lado do prédio abandonado, para acompanhar o salvamento. Depois de detido, Fonseca foi arrastado por soldados da Companhia de Choque escadas a baixo. Segundo o sargento da PM, Luiz Cicarello, o jovem foi alimentado pela polícia e depois levado ao Hospital Pinheiros, em São José dos Pinhais, que trata de doentes mentais.
Visivelmente transtornado, Fonseca gritava do alto do prédio que não era vagabundo e que só queria um emprego. Eu queria apenas trabalhar, dizia para um soldado que tentava se aproximar. Minha família não gosta de mim. Já sofri demais na minha vida, falava. Cada vez que o policial se aproximava ele ameaçava se jogar. Não ouse chegar perto, dizia. Depois de ser salvo, Fonseca disse que queria pular para descansar.
Desempregado, o jovem afirmou ter chegado em Curitiba no domingo. Sem lugar para ficar, ele dormiu num albergue na BR-116. O jardineiro João Lopes da Silva, 48 anos, que também dorme no albergue, disse que Fonseca estava procurando parentes. Para mim foi uma surpresa quando vi que era ele, afirmou.
A polícia foi chamada por trabalhadores sem-terra, que avistaram Fonseca sentado com a intenção de pular. O sem-terra Júnior Germinari, 19 anos, que está acampado na Praça Nossa Senhora de Salete, disse ter chegado a 50 metros de distância de Fonseca.





