Desempregado acusa policiais de agressão
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quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Marcos Zanatta 
O desempregado Carlos Ferreira de Lucena, 19 anos, denunciou ontem que foi preso arbitratriamente pela Polícia Militar e agredido pela Polícia Civil de Sarandi (7 quilômetros de Maringá). Ele procurou a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Maringá para fazer a denúncia, e garantiu que foi agredido por policiais para confessar o roubo de um ciclomotor. Lucena mora no Jardim Independência, em Sarandi, e contou que quando chegava em casa por volta de 23 horas de segunda-feira, foi cercado por dois policiais militares.
Ele afirmou que estava sem os documentos e, apesar de pedir aos policiais para buscá-los em casa, não foi atendido. Me algemaram, colocaram na viatura e fomos diretos para a delegacia, disse. Lucena afirmou que, na delegacia, negou o roubo do ciclomotor mas ficou preso.
Na terça-feira de manhã, segundo ele, o delegado José Aparecido Jacovós e outros dois policiais iniciaram a tomada de depoimento. O delegado foi o primeiro a me dar um golpe na nuca. Eu caí de dor e chorava muito, mas ele mandou me levar para um quarto nos fundos da delegacia, revelou. Lucena disse que ficou algemado com as mãos para trás. Um dos policiais segurava as pernas, enquanto o outro batia com um cassetete no corpo. Eles colocaram também um saco plástico na minha cabeça.
Depois de meia hora, calcula Lucena, os policiais pararam de bater. Eu nunca tive Mobilete e eles queriam que eu contasse onde escondo motos roubadas, disse. Ele conta que antes de ser colocado na cela, assinou umas seis folhas de papel, sem ler o que estava escrito. A advogada dele, que se identificou apenas como Maria José, disse que conseguiu a liberdade de Lucena pagando fiança, e que já denunciou o caso ao Ministério Público.
O presidente da subseção local da OAB, Lélis Vieira, vai expedir um ofício à Secretaria de Segurança Pública e à Subdivisão Policial, além de acionar o Ministério Público para as providências. Vamos verificar se realmente houve abuso, prometeu. O delegado José Jacovós, de Sarandi, disse que Lucena foi preso em flagrante em poder de um ciclomotor roubado em Campo Mourão. A Mobilete estava com a placa de uma moto, também roubada em Campo Mourão.
Jacovós garante ainda que o flagrante de Lucena foi mantido pela Justiça. A advogada alegou que ele estava com lesões corporais, e eu mesmo expedir o pedido de exame no IML, disse o delegado. O delegado diz ainda que já está apurando se houve abuso com o preso, e que, se comprovada a agressão, vai tomar as providências.


