A Polícia Civil de Maringá abriu inquérito para apurar a participação de policiais militares no crime de tortura contra o desempregado Antonio Roberto Matos Barreto, 41 anos. O crime teria sido praticado domingo por dois sargentos e um soldado da Polícia Rodoviária de Marialva e um capitão da Polícia Rodoviária de Cianorte. Barreto teria sido espancado pelos policiais de Marialva das 7 às 12 horas de domingo e sofrido nova sessão de tortura em Cianorte por mais 40 minutos.
Marcos NegriniLesõesMarcas nas costas de Barreto seriam consequência das agressõesNa denúncia formalizada ontem de manhã, na 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Barreto afirmou que foi torturado pelo soldado Antonio Osni Gonçalvez e pelos sargentos Clovis Fugizaki e Nivaldo (a PC não tinha o nome completo dele até ontem), no posto da Marialva. Em Cianorte, para onde Barreto teria sido levado, um capitão (de nome ignorado) também teria participado de nova sessão de tortura.
Os policiais queriam que Barreto confessasse o roubo de um ônibus da empresa Gomes Tur. O ônibus foi roubado no sábado à noite, em Mairiporã (SP). A Polícia de São Paulo teria descoberto que o ônibus estava sendo levado para o interior do Paraná e comunicou as polícias do Estado. Barreto foi detido pelos policiais do posto da Polícia Rodoviária de Marialva no domingo às 7 horas quando passava pelo local dirigindo o ônibus.
Ele disse ontem, que durante a abordagem, os policiais queriam que ele confessasse o roubo do ônibus e dissesse para onde iria levá-lo. Barreto negou o roubo do veículo, afirmando que tinha sido contratado por um homem conhecido por ‘‘Boy’’ para levar o ônibus até a recuperadora Santa Maria, em Umuarama. Ele também disse que não sabia que o ônibus tinha sido roubado e que só aceitou levar o veículo até Umuarama porque está desempregado e iria receber R$ 300,00 pelo serviço.
Marcos NegriniInterceptaçãoO ônibus roubado em São Paulo foi apreendido em MarialvaBarreto afirmou que os policiais não acreditaram na versão e iniciaram a sessão de tortura com o uso de paus. ‘‘Eles me deram pontapés, socos na boca do estômago e pauladas nas costas’’, afirmou. A tortura, segundo Barreto durou quase cinco horas. Depois disso, Barreto afirmou que foi colocado em um carro não caracterizado da Polícia Militar e levado para Cianorte, onde um capitão também teria participado de novas torturas.
‘‘Eles colocaram um saco na minha cabeça e tentavam me sufocar e ao mesmo tempo me davam pauladas nas costas’’. Depois de aproximadamente 40 minutos, conforme Barreto, três policiais obrigaram ele a dirigir o ônibus até a recuperadora Santa Maria, em Umuarama. Os policiais ficaram escondidos no ônibus. O dono da recuperadora que deveria receber o ônibus não estava no local. Barreto só foi levado para a delegacia de Maringá no domingo, às 19 horas.
De acordo com o delegado José Maurício de Lima Filho, os policiais militares extrapolaram. ‘‘Há algum tempo que a Polícia Militar está exagerando, fazendo investigações que não competem a ela’’, disse Lima Filho. O delegado acusa os policiais militares de dificultar o trabalho de investigação da Polícia Civil.
Barreto será transferido para São Paulo para responder o inquérito sobre o roubo do ônibus. Apesar do envolvimento de Barreto no roubo, o delegado Lima de Filho afirmou que a atitude dos policiais militares não é justificável. O exame de corpo delito realizado no IML confirmou lesões no corpo de Barreto.

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