Desempregada é presa por furto de energia elétrica
Érika Pelegrino
De Londrina
Roseli Ramos Xavier, 23 anos, moradora do Jardim Quati (zona norte de Londrina), foi presa em flagrante ontem no início da manhã acusada de furto de energia elétrica. Ela estava com seu filho Fernando Ramos da Silva, de oito meses. Ambos foram levados para o 2º Distrito Policial (DP).
Desempregada há seis meses, Roseli conta que tinha uma dívida no valor de R$ 69,00 com a Copel, referentes às contas de luz dos meses de abril, maio, junho e julho. Há dois meses a energia elétrica de sua casa foi cortada. Ela afirma que depois de um mês sem luz resolveu fazer uma ligação clandestina. Além do bebê, tenho mais uma filha, a Ana Carolina, de quatro anos. Não dava para continuar sem luz, afirma.
Ela conta que ficou desempregada quando seu bebê precisou ser internado vítima de pneumonia e bronquite. Desde então não consigo emprego porque vivo correndo com ele no médico, afirma. Mãe solteira, ela conta que em junho chegou a deixar o bebê com o pai, que mora em frente da casa dela, para trabalhar. O pai dele levou o menino ao Conselho Tutelar e disse que eu tinha abandonado o menino.
Depois deste episódio, Roseli passou a pegar apenas serviços eventuais como diarista. Todo dinheiro que entrava eu pagava um pouco afirma, Roseli. Paguei tudo mas não levei os comprovantes na Copel para religar a luz. Não imaginei que isto (furto de energia elétrica) dava cadeia, explica.
O bebê foi levado para a casa do pai, Ademir Ferreira da Silva, 23 anos, e está sob os cuidados da irmã dele, Suzana. Eu estou muito preocupada porque ela é menor de idade e o Fernando depende de medicamentos, afirma.
Roseli estava aflita porque o bebê tem uma consulta no Hospital Universitário hoje pela manhã. Na semana passada ele tirou raio X e foi detectada uma mancha no pulmão, conta. Ele não pode perder a consulta. Eu tenho que sair daqui.
Um senhor ele não quis se identificar para quem Roseli faz faxinas a cada 15 dias esteve no 2º DP para conversar com ela e conseguir um advogado para tentar o alvará de soltura o mais breve possível. Ela é uma mulher trabalhadeira que fez isto num momento de desespero, afirma.
Antônio Borges, 54 anos e João Marcos Santuce, 47 anos também foram presos em flagrante junto com Roseli e levados para o 2º DP. Ambos trabalham como carroceiros têm família para sustentar e ganhem em média R$ 150,00 mensais. Os dois também precisam de advogados para conseguir sair da prisão, ou então terão que responder o processo, que pode durar mais de três meses, presos. O gerente da unidade de distribuição da Copel em Londrina, Oscar Avila Duraes, explica que, se a Roseli pagou as contas atrasadas, teria que ter solicitado a religação junto à Copel.
Duraes afirma que a Copel solicita o apoio da Polícia Militar para fazer o desmanche da gambiarra, por cusa da resistência de alguns moradores. A polícia prende quando constata que há furto e faz o flagrante, afirma. O problema das ligações clandestinas é que colocam em risco os moradores por serem feitas com fios em péssima qualidade, diz.
A Copel, segundo Duraes, no caso de áreas invadidas tem tentado encontrar alternativas junto à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab).Mesmo tendo pago as contas em atraso, mulher acabou recebendo o flagrante por não ter desfeito a gambiarra
DESESPERORoseli Xavier, que está no 2º Distrito Policial: Tenho dois filhos. Não dava para continuar sem luz





