O segundo semestre marca a etapa final do ano letivo e isso exige mais atenção, dedicação e empenho dos pais para que os alunos possam aprender melhor. Um acompanhamento ruim do desempenho escolar nas séries iniciais pode ter reflexos na sequência dos estudos, inclusive no Ensino Superior. A psicopedagoga Edy Simone Del Grossi, de Londrina, destacou em entrevista à FOLHA a importância dessa interação dos alunos com seus pais e ressaltou o papel da organização no processo de construção do conhecimento na criança.
O primeiro passo a ser tomado pelos pais, destacou a psicopedagoga, é a organização do horário para que o estudante tenha tempo para a resolução dos deveres de casa, para a atividade física, para se alimentar bem, para o lazer, para realizar atividades de distração e para dormir. Observando que atualmente as crianças têm abusado e permanecido muito tempo utilizando a internet, ressaltou que essa atividade deve ser limitada a uma ou duas horas diárias. ''O seu uso fica entre as atividades de distração, que são obrigatórias para o cérebro descansar, para que ele possa criar mais espaço para cada atividade, mas deve haver esse limite'', recomendou.
O cronograma elaborado pelos pais também deve definir o horário em que os deveres de casa devem ser realizados, pois essa atividade contribui para o processo de memorização do conteúdo. ''O horário da tarefa deve ser reforçado e os pais devem estar juntos nesse momento para avaliar como a criança está aprendendo'', aconselhou Edy. Ela explicou que o cérebro precisa recuperar o conteúdo que foi ministrado em sala de aula para armazenar a informação por mais tempo, caso contrário pode ser esquecida rapidamente. Segundo a profissional, duas horas diárias são suficientes para que o aluno consiga armazenar esse conteúdo.
Armazenar
As atividades práticas também podem ser uma ferramenta poderosa para que o aluno armazene a informação que aprendeu em sala de aula. ''Os pais podem proporcionar atividades concretas que ajudem o aluno a contextualizar ao máximo o conteúdo trabalhado em sala de aula'', reforçou. Se, por exemplo, a aula foi de Matemática e trabalhou medidas de comprimento, os pais podem trabalhar a distância percorrida por um carro em uma estrada.
A psicopedagoga ressaltou que trabalhar o conteúdo através da estratégia de elaboração do pensamento é um processo conhecido como metacognição, ou seja, a pessoa torna-se capaz de reelaborar o pensamento através da organização das ideias e os pais devem trabalhar a teoria e a prática dentro desse conceito. ''O que está faltando hoje para as pessoas é essa capacidade de reelaborar e de reorganizar. Se não der para fazer de uma certa maneira eu posso mudar? Adaptar-se faz parte parte do processo de cognição'', explicou.
Endorfina
Fazer atividade física também é outro fator importante, pois depois que o corpo descansa ele libera a endorfina que dá mais prazer e disposição para realizar outras atividades. ''A prática da atividade física ao longo do dia possibilita uma oxigenação cerebral maior e isso faz com que ele tenha mais espaço no cérebro e assimile melhor as novas informações'', expôs.
Alimentação
A alimentação saudável é outro fator que não pode ser esquecido pelos pais na hora da elaboração do cardápio de seus filhos. ''Prefira uma alimentação com proteínas, frutas, verduras e principalmente cereais'', recomendou Edy. Ela explicou que as crianças que esquecem de tomar um café da manhã em casa acabam optando por comprar lanches ricos em carboidratos e isso não é saudável. Para obter um bom desempenho ela destacou a importância do achocolatado, que ajuda na concentração e na atenção. Entre as frutas recomendadas ela destacou a banana, que possui vários nutrientes benéficos para o processo de aprendizagem.
Sono
O tempo de sono também pode refletir no desempenho do aluno. De acordo com a psicopedagoga, cada faixa etária possui uma quantidade ideal de horas de sono. ''Bebês devem dormir 17 horas diárias, crianças até nove anos devem dormir por nove horas diárias, adolescentes precisam de 10 horas diárias de sono e os adultos precisam dormir por oito horas por dia'', aconselhou.
Edy salientou que a sonolência pode ser um dos sinais que a criança emite e que podem resultar em problemas de aprendizagem. Outros sinais são a falta de atenção, cansaço, irritação, falta de energia, dores musculares, ansiedade e insônia. ''Isso tudo pode resultar em desmotivação, deficit de memória, apatia e falta de saúde; o que pode indicar que as crianças têm dormido entre seis e sete horas por dia e por isso não conseguem se desenvolver'', alertou.
Outro problema que aflige os estudantes, destacou a psicopedagoga, está relacionado à falta de afetividade. ''Isso está comprovado por pesquisas, pois atualmente as crianças não têm com quem discutir os problemas pelos quais passam em sala de aula e dentro da família'', observou Edy. ''Os pais precisam sentar e conversar com seus filhos'', alertou a especialista.

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