Desempenho de universidades é debatido por educadores
Quais são os desafios do ensino superior no Brasil? Esta foi a principal questão que seria discutida em uma palestra ontem à noite em Londrina, no auditório da Universidade Norte do Paraná (Unopar), ministrada pelo membro do Conselho Nacional de Educação, Lauro Ribas Zimmer. Participaram alunos, professores e educadores da cidade.
Para Zimmer, o grande desafio da educação no País está em oferecer universidades de boa qualidade ao grande número de estudantes que saem do 2º grau. Segundo o conselheiro, 3,6% dos estudantes secundaristas procuram vagas nas universidades brasileiras. Até pouco tempo atrás esse número era de 1,2%. O aumento na procura leva à criação de novas universidades. O desafio, portanto, é avaliar se as instituições estão oferecendo qualidade, explicou.
De acordo com Zimmer, a avaliação nacional dos cursos cumpre o papel de fiscalizar as universidades. O provão tem essa finalidade. Um curso é bom ou ruim quando se avalia o corpo docente, o projeto pedagógico e a infra-estrutura. E tudo isso é passível de mudanças. Nesse sentido, a avaliação constante é um papel legítimo do MEC (Ministério da Educação), salientou.
Em relação aos três cursos de medicina reprovados recentemente pelo MEC, em Pelotas (RS), Valença (RJ) e Presidente Prudente (SP), Zimmer disse que as universidades vão ter um tempo determinado para solucionar as deficiências. Não se fecha as portas de uma faculdade bruscamente. Os cursos vão passar por uma nova avaliação. Não resolvidos os problemas, infelizmente não existe outra alternativa.
Outra questão abordada por Zimmer diz respeito ao financiamento do ensino. Ele relata que as universidades privadas crescem na mesma medida em que a rede pública de 2º grau aumenta.Ocorre que o aluno que procura pelo ensino particular precisa de crédito educativo. As iniciativas dos bancos, além de tímidas não são adequadas, disse.
Questionado sobre a implantação de cursos universitários repetidos em uma mesma cidade, Zimmer falou que ao MEC compete apenas conferir a qualidade do ensino. Mercado de trabalho é um processo agregado ao crescimento do país. O que não podemos admitir é que se limite o acesso à universidade. Restringir a abertura de novos cursos é condenar a população à ignorância, afirmou.





